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Senadores fecham diálogo com trabalhadores em debate sobre a escala 6×1

A mobilização das centrais sindicais em defesa do fim da escala 6×1 encontrou, nos últimos dias, um obstáculo que vai além da divergência política: o silêncio institucional. Em meio ao esforço das entidades trabalhistas para ampliar o diálogo com o Senado Federal e conquistar os 49 votos necessários à aprovação da proposta, dirigentes sindicais relatam que diversos parlamentares simplesmente bloquearam os canais de comunicação com representantes dos trabalhadores.

A estratégia havia sido definida durante encontro das centrais sindicais realizado na semana passada. A orientação era promover um trabalho direto junto aos senadores — especialmente aqueles que ainda não se posicionaram oficialmente ou que manifestaram voto contrário à proposta. Representações regionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh) e de outras entidades sindicais passaram a procurar gabinetes parlamentares, enviar mensagens e apresentar argumentos favoráveis à revisão da jornada 6×1, considerada por trabalhadores uma das mais desgastantes relações de escala do país.

O objetivo era simples: garantir que os senadores ao menos tomassem conhecimento das reivindicações de milhões de brasileiros que defendem jornadas mais humanas, maior convivência familiar e melhores condições de saúde física e mental.

Mas a recepção, segundo lideranças sindicais, esteve longe de refletir o espírito democrático esperado da chamada “Casa do Povo”.

Nesta quinta-feira, a diretora da Contratuh, Rejane Cabral Carara, denunciou que senadores contrários à proposta passaram a bloquear o recebimento de mensagens encaminhadas por representantes sindicais. Segundo ela, entre os parlamentares apontados estão Hermes Klann e Roberta Acioly.

Também teriam restringido ou impedido o envio de mensagens senadores que ainda não declararam voto sobre a matéria, entre eles Omar Aziz, Alan Rick, Cid Gomes, Giordano, Professora Dorinha Seabra, Alessandro Vieira, Eduardo Braga, Davi Alcolumbre, Fernando Dueire e Jader Barbalho.

“Fomos fazer nossa missão, mas não tivemos êxito total, porque alguns senadores já bloquearam o recebimento de mensagens”, afirmou Rejane.

O episódio gerou indignação entre dirigentes sindicais e trabalhadores que acompanham a tramitação da proposta. Para as entidades, o problema não está apenas na possibilidade de voto contrário — algo legítimo dentro do processo democrático —, mas na recusa em ouvir argumentos, receber manifestações ou manter canais mínimos de diálogo com a sociedade organizada.

A crítica das centrais é direta: enquanto pesquisas e mobilizações apontam amplo apoio popular à revisão da escala 6×1, parte do Senado parece optar pelo isolamento político e pela blindagem institucional, ignorando justamente os setores que serão diretamente impactados pela decisão parlamentar.

Na avaliação de sindicalistas, o fechamento dos canais de comunicação transmite a sensação de distanciamento entre representantes eleitos e a população trabalhadora. “Não se trata apenas de votar contra ou a favor. Trata-se de ouvir”, resumiu um dirigente sindical envolvido na mobilização.

O debate sobre a escala 6×1 ganhou força nos últimos meses ao reunir trabalhadores de diferentes categorias, sobretudo dos setores de comércio, serviços, turismo e hospitalidade — áreas marcadas historicamente por jornadas extensas, desgaste emocional e dificuldades de convivência familiar.

Agora, além da disputa pelos votos, o movimento sindical enfrenta outro desafio: romper o muro de silêncio erguido dentro do próprio Parlamento.

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