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Roberto Ruiz destaca a saúde do trabalhador e do dirigente sindical

A palestra ministrada pelo médico do trabalho Roberto Ruiz no seminário promovido pela CONTRATUH, trouxe reflexões fundamentais sobre os impactos dos riscos ocupacionais na saúde física e mental dos trabalhadores e dirigentes sindicais. O especialista destacou que, além dos cinco grupos clássicos de riscos — químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos — a nova NR-1, em vigor desde maio de 2026, obriga os empregadores a mapear também os riscos psicossociais, como estresse e assédio, e apresentar planos de prevenção.

Ruiz enfatizou que doenças como LER/DORT (tendinite, bursite, lombalgia, síndrome do túnel do carpo) e transtornos mentais (depressão, ansiedade, burnout, síndrome do pânico) estão diretamente relacionadas às condições de trabalho. Ele alertou que jornadas excessivas, como o regime 6×1 ou até 13×1, aumentam significativamente o risco de AVC e de adoecimento mental, conforme comprovam pesquisas brasileiras e europeias.

Outro ponto central foi o assédio moral, definido como uma doença do ambiente de trabalho, e não da pessoa. O médico defendeu a criação de canais de denúncia, como observatórios e grupos de comunicação, além de materiais de capacitação para dirigentes e trabalhadores, como instrumentos de enfrentamento e prevenção.

No campo da insalubridade, Ruiz lembrou que a NR-15 garante o pagamento de adicional quando há exposição a agentes nocivos, citando o exemplo das camareiras de hotéis expostas a risco biológico em banheiros. Ele recomendou que sindicatos utilizem a via administrativa ou a ação civil pública coletiva, que não gera sucumbência após a reforma trabalhista.

Para os dirigentes sindicais, que enfrentam jornadas intensas e pressão patronal, o médico apresentou o questionário SRQ-20, validado no Brasil, como ferramenta de autoteste de saúde mental. A partir de sete respostas positivas, há indicação de necessidade de atenção especializada.

Em sua análise, Roberto Ruiz reforçou que pesquisas, ofícios e campanhas são instrumentos indispensáveis para a prevenção e para a luta contra jornadas abusivas, assédio e insalubridade. A palestra reafirmou a urgência de políticas sindicais voltadas à proteção integral da saúde do trabalhador e do dirigente sindical, fortalecendo a atuação coletiva e a defesa de condições dignas de trabalho.
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