O plano de governo do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, escancara um projeto voltado a enfraquecer a organização coletiva da classe trabalhadora. Sob o discurso de valorizar a “liberdade individual” e pregar que o trabalhador deve vir “antes do sindicato”, a proposta aposta na ampliação de acordos individuais e na premissa do negociado sobre o legislado. Na prática, o modelo fragiliza o elo mais fraco da relação, deixando o empregado isolado e vulnerável diante do poder patronal de demitir e ditar salários.
As representações classistas e o movimento sindical reagiram com firmeza, deixando claro que os trabalhadores não se curvarão diante das propostas de extinção dos sindicatos e redução dos direitos trabalhistas. Para lideranças da categoria, como a secretária nacional de Organização Sindical da CUT, Graça Costa, a ofensiva contra as entidades tem o objetivo claro de eliminar a resistência à exploração total — uma reedição e aprofundamento da lógica perniciosa da reforma trabalhista de 2017.
O receituário do candidato repete fórmulas neoliberais que já se provaram danosas, como a tentativa de baratear custos de contratação para jovens e idosos à custa de garantias trabalhistas e encargos sociais. Além disso, o programa omite compromissos fundamentais para a classe trabalhadora: não há previsões estruturadas para a valorização real do salário mínimo, combate à pejotização fraudulenta, proteção a trabalhadores de aplicativos, garantia de igualdade salarial entre gêneros ou alternativas para o fim da extenuante escala 6×1. Contraditoriamente, enquanto afasta a rede de proteção social e desqualifica políticas de assistência como o Bolsa Família, o plano alivia o setor empresarial.
Diante desse cenário de ameaças, o movimento sindical ressalta que direitos históricos — como o 13º salário, a jornada limitada, o descanso semanal remunerado, as férias e as normas de saúde e segurança — jamais foram concessões espontâneas de patrões ou governos, mas sim frutos de muita luta e pressão coletiva. As entidades reafirmam que sindicatos fortes são o único instrumento capaz de transformar necessidades individuais em força de barganha contra abusos, assegurando que os trabalhadores jamais aceitarão o desmonte de sua dignidade e de seus direitos constitucionais.
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