A chamada “sindicatofobia” voltou ao centro dos debates trabalhistas e sociais em diferentes setores do país. O termo, que vem sendo difundido pelo presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), José Reginaldo Inácio, procura definir um fenômeno cada vez mais perceptível no cotidiano brasileiro: o crescimento do discurso de hostilidade, repugnância e resistência ao movimento sindical e às lideranças que representam os trabalhadores.
Mais do que simples divergência política ou ideológica, a sindicatofobia é apontada como uma construção cultural alimentada por campanhas permanentes de desvalorização das entidades sindicais, justamente em um período marcado pelo aumento da informalidade, da precarização das relações de trabalho, do desemprego e da fragilidade das garantias sociais.
Ao abordar o tema, José Reginaldo Inácio costuma enfatizar que o sindicato representa historicamente a união da parte mais frágil da relação econômica: o trabalhador. Para ele, enfraquecer a organização sindical significa abrir caminho para o enfraquecimento de todos os demais direitos sociais conquistados ao longo de décadas.
“Sem o direito sindical não há sobrevivência aos demais direitos”, resume o dirigente, ao defender que a representação coletiva continua sendo um instrumento essencial de equilíbrio entre capital e trabalho.
A filosofia defendida pelo presidente da CNTI parte do entendimento de que o trabalho sindical não se limita às negociações salariais ou às campanhas trabalhistas. Trata-se também de um processo de conscientização social e de fortalecimento humano, baseado na solidariedade coletiva e na valorização da dignidade das pessoas.
Segundo ele, o verdadeiro trabalho de base busca estimular a convivência solidária como alternativa à lógica da ganância, da competição extrema e da dominação econômica. Nesse contexto, o sindicato deixa de ser apenas uma entidade burocrática para assumir papel social, comunitário e democrático.
A reflexão também dialoga com conceitos desenvolvidos pela filósofa espanhola Adela Cortina, conhecida internacionalmente por seus estudos sobre ética e justiça social. Em suas análises sobre os preconceitos sociais contemporâneos, Cortina ajuda a compreender mecanismos de rejeição dirigidos a grupos vulneráveis ou a instituições que os representam.
Aplicado ao universo trabalhista, o conceito de sindicatofobia traduz justamente o ódio, a hostilidade ou a repugnância direcionada aos sindicatos e aos sindicalistas, especialmente aqueles ligados à defesa das classes trabalhadoras mais exploradas e atingidas pela pobreza, informalidade, desemprego, intermitência e desalento social.
Especialistas observam que esse fenômeno ganhou força nos últimos anos em meio à disseminação de discursos que apresentam os sindicatos como estruturas ultrapassadas ou desnecessárias. Ao mesmo tempo, paradoxalmente, cresce a demanda por proteção trabalhista diante das transformações impostas pela tecnologia, pela pejotização, pelo trabalho em plataformas digitais e pelas novas formas de contratação sem garantias tradicionais.
Nesse cenário, dirigentes sindicais alertam para um risco silencioso: o enfraquecimento da representação coletiva pode deixar o trabalhador ainda mais isolado diante do poder econômico e das mudanças legislativas que afetam diretamente o mundo do trabalho.
Outro ponto frequentemente destacado é a baixa representação dos trabalhadores nos espaços políticos e institucionais. Enquanto setores empresariais mantêm forte presença no Congresso Nacional e em estruturas de decisão, as organizações ligadas ao trabalho enfrentam dificuldades crescentes para ampliar sua influência e participação.
Para José Reginaldo Inácio, enfrentar a sindicatofobia passa necessariamente pela reconstrução do diálogo com a sociedade, pela modernização das formas de comunicação sindical e pela retomada do trabalho de base junto às categorias profissionais, especialmente entre os mais jovens.
A defesa do sindicalismo, segundo essa visão, não se resume à proteção de entidades, mas à preservação de instrumentos democráticos capazes de garantir negociação coletiva, equilíbrio social e proteção mínima para milhões de trabalhadores brasileiros.
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