Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) trouxe um alívio temporário para o orçamento das famílias brasileiras. Entre junho e julho, a grande maioria das capitais do país registrou queda no valor do conjunto de alimentos básicos. No entanto, o cenário de longo prazo ainda exige cautela: o acumulado do ano e a comparação interanual mostram que comer no Brasil continua pesando mais do que no ano passado.
Quedas no Brasil
O movimento de retração nos preços foi quase unânime no território nacional. Das capitais pesquisadas, a esmagadora maioria apresentou deflação na cesta. A única exceção gritante no período foi São Luís (MA), que registrou uma leve alta de 0,3%.
Nas demais regiões, o recuo dos preços de itens de grande peso na mesa do trabalhador — como o tomate — garantiu fôlego ao índice geral. O tomate, inclusive, foi o grande protagonista da queda em diversas regiões, chegando a recuar 33,1% em Curitiba. Em contrapartida, o clima e a entressafra pressionaram itens como a banana e a batata, que acumula altas expressivas no país.
Peso no Salário
Embora a queda mensal seja positiva, o comprometimento da renda do trabalhador que recebe um salário mínimo continua elevado. Traduzindo o custo da alimentação em horas de trabalho, o cenário nacional mostra que o brasileiro precisa trabalhar, em média, mais de 100 horas por mês apenas para garantir o sustento alimentar básico.
Ao descontar a Previdência Social, o comprometimento do salário mínimo líquido gira em torno de 50% a 54% nas capitais mais caras do país, evidenciando que metade do esforço laboral do cidadão de baixa renda é direcionado exclusivamente para a subsistência.
Ranking caro
Historicamente, as regiões Sul e Sudeste concentram os custos de vida mais elevados do país. No topo da lista das cestas básicas mais caras do Brasil figuram:
- São Paulo (SP) – Tradicionalmente o maior custo nominal do país.
- Cuiabá (MT)
- Florianópolis (SC)
- Rio de Janeiro (RJ)
- Porto Alegre (RS)
- Campo Grande (MS)
- Curitiba (PR)
O Destaque de Curitiba: A capital paranaense aparece como a 7ª mais cara do país, avaliada em R$ 807,93, após uma queda de 4,1% no mês. Apesar de ser a mais barata da região Sul (ficando atrás de Florianópolis e Porto Alegre), a capital acumula uma alta indigesta de 9,5% no ano.
O vilão e o herói do prato
No acumulado de dezembro até julho, os extremos de preços chamam a atenção dos economistas e revelam o impacto do clima na mesa:
- A Batata: Consolida-se como o principal “vilão” do ano, com um salto expressivo de 75,6% em seus preços devido a quebras de safra e fatores climáticos.
- O Café em Pó: Por outro lado, o produto foi o principal alívio no bolso, registrando uma redução de 17,2% no período acumulado.
Perspectivas
Analistas do DIEESE apontam que a queda recente reflete uma maior oferta de produtos hortifrutigranjeiros típicos de inverno, mas alertam que o poder de compra do salário mínimo nacional segue pressionado pela inflação estrutural de alimentos acumulada nos últimos 12 meses. Para o restante do segundo semestre, os fatores climáticos (como a seca prolongada em algumas regiões produtoras) devem ditar o ritmo dos preços.
********





