Dos 567 deputados e senadores com mandatos submetidos à renovação nas eleições de 2026, 27 decidiram não disputar as urnas. Ao menos 12 deles encerrarão definitivamente suas carreiras na política eleitoral — entre aposentadorias, razões de saúde e transições de carreira.
O grande marco dessa transição é a saída de uma das figuras mais emblemáticas do Legislativo brasileiro: o senador Paulo Paim (PT-RS), referência histórica na defesa incondicional da classe trabalhadora e do movimento sindical.
Legado de Paulo Paim
Ex-metalúrgico e destacado dirigente sindical, Paulo Paim construiu uma das trajetórias mais atinadas com a pauta dos trabalhadores na história do Congresso Nacional. Sua jornada parlamentar começou na Assembleia Nacional Constituinte de 1987, após ser eleito deputado federal em 1986, onde atuou diretamente na garantia e consolidação dos direitos sociais na Carta Magna de 1988.
Ao longo de quatro mandatos na Câmara dos Deputados e de três mandatos consecutivos no Senado Federal (onde atua desde 2003), Paim destacou-se por sua capacidade de articulação em prol da classe trabalhadora, do piso salarial, do fortalecimento dos sindicatos, dos direitos dos aposentados e da igualdade racial.
Aos 76 anos, Paim decidiu não disputar o quarto mandato no Senado para focar na saúde e abrir espaço para novas lideranças.
“É hora de passar o bastão para a nova geração”, afirmou o senador em emocionante pronunciamento ao anunciar o encerramento de sua carreira nas urnas após quatro décadas de dedicação à vida pública.
Os demais
Além de Paulo Paim, outros cinco senadores deixam a Casa Alta ao fim desta legislatura:
- Luis Carlos Heinze (PP-RS): Engenheiro agrônomo e produtor rural, conclui quase três décadas de Congresso (cinco mandatos na Câmara e um no Senado). Decidiu não disputar o pleito de 2026 para encerrar sua trajetória eleitoral.
- Oriovisto Guimarães (PSDB-PR): Economista e empresário, cumpre seu único mandato eletivo. Eleito em 2018 com quase 3 milhões de votos, manteve o compromisso inicial de não buscar reeleição, defendendo a renovação contínua na política.
- Rodrigo Pacheco (PSB-MG): Ex-presidente do Senado por dois biênios (2021–2025), o advogado deixará a vida eleitoral para assumir uma vaga de ministro no Tribunal de Contas da União (TCU).
- Flávio Arns (PSB-PR): Com mais de 30 anos na vida pública e foco nas causas sociais e na educação, o senador não tentará a reeleição, mas pretende continuar atuando na sociedade civil.
- Jorge Kajuru (PSB-GO): Ex-jornalista esportivo, encerra sua atuação parlamentar para priorizar os cuidados com a saúde (após diagnóstico de Parkinson) e retornar ao jornalismo.
Deputados federais que se despedem da Câmara
Na Câmara dos Deputados, seis parlamentares veteranos e com forte atuação setorial também não disputarão a reeleição:
- Arnaldo Jardim (Cidadania-SP): Com nove mandatos na vida pública e vasta experiência nas áreas de infraestrutura e agronegócio, planeja atuar como consultor e conselheiro da nova geração de congressistas.
- Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR): Com 54 anos de atuação pública e 17 eleições disputadas, o economista continuará defendendo pautas como a implementação da Reforma Tributária e o fortalecimento de pequenos negócios fora do mandato.
- Márcio Biolchi (MDB-RS): Com três mandatos como deputado federal e passagens pelo Executivo gaúcho, deixará a vida pública para migrar para a iniciativa privada.
- Eriberto Medeiros (PSB-PE): Com quase três décadas de mandatos eletivos (ex-presidente da Alepe), retira-se das urnas por razões de saúde, mantendo a representação familiar por meio de seu filho, Eriberto Filho.
- Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG): Empresário de Governador Valadares, encerra dois mandatos na Câmara e apoia a candidatura do filho, Vinícius Diniz, para sucedê-lo.
- José Rocha (União-BA): O parlamentar com a trajetória mais longa entre os deputados que saem, soma 48 anos ininterruptos de Legislativo. Não tentará o nono mandato na Câmara e apoia seu filho, Manuel Rocha, para a vaga.
Fonte: Congresso em Foco





