O cenário para as mulheres no mercado de trabalho brasileiro apresenta um contraste marcante entre ocupação e remuneração. Segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, embora a participação feminina tenha saltado 11% — elevando o número de trabalhadoras de 7,2 milhões para 8 milhões — a disparidade salarial no setor privado permanece estagnada. Em média, as mulheres ainda recebem 21,3% menos que os homens em empresas com mais de 100 funcionários.
Os dados, baseados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 53,5 mil estabelecimentos, revelam um avanço expressivo na inclusão racial. O número de mulheres negras e pardas empregadas cresceu 29%, o que representa um acréscimo de 1 milhão de novas profissionais no setor.
Desigualdade
Apesar do aumento na massa de rendimentos das mulheres (que subiu para 35,2%), o estudo aponta que ainda falta muito para o equilíbrio. Para que a renda fosse equivalente à presença feminina no emprego (41,4%), seriam necessários R$ 95,5 bilhões adicionais nos salários anuais.
“Aumentar essa massa em 10,6% teria impacto direto no consumo das famílias, mas as empresas ainda resistem devido ao custo imediato dessa mudança”, destaca a Subsecretaria de Estatística do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Avanços
Se o salário ainda é um gargalo, as políticas de bem-estar e cultura organizacional mostram sinais de evolução entre 2023 e 2025:
- Flexibilidade: A oferta de jornadas flexíveis subiu de 40,6% para 53,9%.
- Apoio à Família: O auxílio-creche saltou de 22,9% para 38,4%, enquanto as licenças estendidas (maternidade e paternidade) chegaram a quase 30% das empresas.
- Gestão: Planos de cargos e salários agora estão presentes em 66,8% dos estabelecimentos analisados.
Além disso, cresceu o olhar para grupos vulneráveis. A contratação de mulheres indígenas subiu para 11,2%, e a de mulheres vítimas de violência dobrou, atingindo 10,5% das empresas, com destaque para os setores de alimentação, vigilância e serviços de manutenção.
Disparidades Regionais
O relatório expõe um Brasil de diferentes velocidades. O Acre e o Piauí lideram o ranking de menor desigualdade salarial, onde a remuneração feminina supera 90% da masculina. No extremo oposto, estados como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná registram as maiores brechas, com as mulheres recebendo pouco mais de 70% do rendimento dos homens.
Papel da Lei
Todo esse monitoramento é fruto da Lei 14.611, de Igualdade Salarial, sancionada em 2023. A legislação obriga empresas com mais de 100 empregados a manterem transparência em seus critérios remuneratórios e a criarem canais de denúncia e programas de diversidade. O objetivo é que, através da fiscalização e do apoio à capacitação, a presença recorde de mulheres no mercado finalmente se traduza em contracheques equivalentes aos de seus pares masculinos.
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