- Pedro Thiago
Na quarta-feira, 23 de setembro, o IBGE divulgou dois números que raramente andam juntos. O Brasil fechou 2025 com 103 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente da série iniciada em 2012. Apenas 8,8% delas eram associadas a um sindicato.
Durante anos, a queda da sindicalização pôde ser atribuída ao desemprego e ao fim da contribuição obrigatória, em 2017. O primeiro argumento perdeu força. Nunca houve tanta gente trabalhando, e a taxa segue praticamente parada: eram 8,9% em 2024.
Visto do lado do sindicato, o dado diz algo desconfortável e, ao mesmo tempo, revelador. A convenção coletiva negociada pela entidade vale para toda a categoria, filiada ou não. O reajuste, o piso e as regras de jornada chegam ao contracheque de quem nunca assinou uma ficha. A representação alcança muito mais gente do que o quadro de associados.
É aí que mora a tensão. O sindicato é medido pela filiação, mas trabalha pela cobertura. Quando o emprego cresce, cresce também o número de trabalhadores protegidos por algo que eles não reconhecem como obra de alguém. Para essa pessoa, o reajuste veio da empresa, e o piso, da lei.
Os recortes do IBGE mostram onde essa distância é maior. Entre empregados do setor privado com carteira, a sindicalização chega a 11,3%. Entre os sem carteira, cai para 3,3%. No trabalho doméstico, 2,8%. Quanto mais frágil o vínculo, menos o trabalhador cruza com a entidade, e menos chance tem de associar a ela o que recebe.
Há um sinal no sentido contrário. Em 2024, a sindicalização cresceu pela primeira vez desde 2012, com 812 mil novos associados. A queda não é uma lei natural. Responde, em parte, ao que acontece no encontro entre a entidade e quem ela representa.
Com o emprego em alta, a pergunta que o dado deixa não é só quantos trabalhadores faltam no quadro do sindicato. É quantos já são representados todos os dias sem saber, e o que muda na força de uma entidade quando essa representação passa a ser reconhecida.
- Pedro Thiago
Assessor de comunicação do Sintibref-MG, Sintibref-PE, Sintibref-DF e Seibref-SP
Referências
- BPMoney. Sindicalização fica em 8,8% em 2025, aponta IBGE. 23 set. 2026. Disponível em: https://bpmoney.com.br/mercado/sindicalizacao-fica-em-88-em-2025-aponta-ibge/
- InfoMoney. Após quedas seguidas, taxa de sindicalização ficou estável em 2025, diz IBGE. 23 set. 2026. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/economia/apos-quedas-seguidas-taxa-de-sindicalizacao-ficou-estavel-em-2025-diz-ibge/
- IBGE, Agência de Notícias. Com taxa de 8,9%, sindicalização cresce pela primeira vez desde 2012. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45174-com-taxa-de-8-9-sindicalizacao-cresce-pela-primeira-vez-desde-2012.
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