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2026: entre legados, discursos e projetos de País

Disputa eleitoral tende a opor balanços de governo, trajetórias políticas e visões econômicas e de mundo concorrentes.

Serão legados em confronto de um lado e a aridez vazia de outro. Assim, a eleição presidencial de 2026 deve se estruturar, em grande medida, como plebiscito comparativo entre períodos recentes da política brasileira.

De um lado, o campo associado ao presidente Lula (PT) tende a enfatizar resultados ligados à retomada de políticas sociais, recomposição de investimentos públicos e articulação internacional.

De outro, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso e condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado — por ter liderado tentativa de golpe de Estado —, costumam destacar pautas de costumes, agenda de desregulamentação1 e determinadas entregas de infraestrutura.

 A avaliação desses ciclos, no entanto, permanece objeto de disputa discursiva. Enquanto críticos da atual gestão apontam pressões fiscais2 e desafios inflacionários, opositores do governo anterior frequentemente sublinham a condução da pandemia e ainda o isolamento diplomático3.

Assim, mais do que simples balanço técnico, o embate tende a ser moldado por interpretações concorrentes sobre prioridades e resultados.

Trajetórias sob escrutínio

A eventual presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), preposto do pai, no centro da disputa, adiciona outra camada ao debate: a comparação entre experiências políticas.

A trajetória do senador, que inclui passagem pela Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e atuação no Senado, são frequentemente mobilizadas tanto por críticos — que mencionam investigações e questionamentos sobre a atuação passada — quanto por apoiadores, que alegam perseguição política e destacam a inserção no Congresso Nacional.

Nesse contexto, a eleição tende a extrapolar a análise de governos e incorporar julgamentos sobre biografias políticas, experiência administrativa e credenciais para o Executivo federal.

Projetos econômicos em disputa

Outro eixo central será o contraste entre estratégias econômicas. A atual orientação governamental costuma ser associada à abordagem de estímulo ao crescimento por meio de investimento público, políticas industriais e programas sociais.

Frequentemente descrita como neodesenvolvimentista.

Em oposição, setores ligados à agenda neoliberal defendem maior protagonismo do mercado, com ênfase em privatizações, austeridade fiscal4 e redução do tamanho do Estado.

Trata-se, pois, de agenda velha e carcomida, que remonta à década de 1990 do século passado, que nada de relevante acrescentou ao Brasil. Ao contrário.

Esse contraste não é novo no Brasil, mas tende a ganhar nova intensidade e contornos diante das pressões por crescimento, estabilidade econômica e inclusão social.

Narrativas e construção eleitoral

Apesar das linhas gerais já visíveis, o cenário de 2026 ainda está em formação. Mas em grande medida já se desenrola nas redes e nas plataformas, por todos os contendores.

Candidaturas, alianças e estratégias discursivas devem evoluir conforme o ambiente político e econômico se redefine.

Nesse processo, a disputa não se dará apenas em torno de dados objetivos, mas também da capacidade de cada campo em construir discursos convincentes sobre passado, presente e futuro.

A eleição, portanto, tende a combinar 3 dimensões principais: o julgamento de legados recentes, a avaliação de trajetórias individuais e o confronto entre modelos de desenvolvimento, sem contar que rumos ou futuro que apontam os principais contendores.

O resultado dependerá de como esses elementos serão percebidos pela população e eleitores e articulados ao longo da campanha, que já se desenrola nas redes digitais.

  • Marcos Verlaine é jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP.

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