Produtos proibidos, contato frequente com substâncias químicas e cuidados com instrumentos exigem atenção de cabeleireiros, barbeiros, manicures e demais profissionais
Cuidar da aparência e do bem-estar das pessoas não pode custar a saúde de quem trabalha. Nos salões de beleza, a proteção precisa acompanhar cada atendimento, desde a escolha dos cosméticos até a higienização dos instrumentos. Para cabeleireiros, barbeiros, manicures, esteticistas, depiladores e profissionais de apoio, conhecer os riscos e conferir os produtos utilizados são cuidados fundamentais. Um dos alertas mais importantes envolve os alisantes capilares.
A Anvisa orienta que sejam utilizados somente produtos registrados e presentes em sua lista de autorizados. Nomes como “progressiva”, “botox capilar” ou “escova inteligente” não garantem segurança: a agência registra os produtos, e não essas denominações de procedimentos. Antes da aplicação, é necessário conferir o nome, o fabricante e o número do processo na consulta oficial. gov.br
O formol e o glutaraldeído não podem ser utilizados como substâncias alisantes. Também não se deve adicionar formol a cosméticos para aumentar seu efeito. A exposição pode provocar irritação, queimaduras, tosse e dificuldade para respirar. No caso do formol, o contato repetido e prolongado ainda está associado ao aumento do risco de câncer. Para o profissional que realiza vários atendimentos, a exposição merece atenção especial. gov.br
As manicures e profissionais de alongamento de unhas também precisam revisar o estoque. Em março de 2026, a Anvisa anunciou o cancelamento dos registros de mais de 500 cosméticos que continham TPO ou DMPT, substâncias proibidas no Brasil e que podem estar presentes em esmaltes e produtos para unhas artificiais em gel. Segundo a agência, o TPO é classificado como tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade, enquanto o DMPT apresenta potencial de causar câncer em humanos. A medida busca proteger especialmente quem trabalha com esses produtos com frequência. gov.br
A proibição não significa que todos os esmaltes em gel estejam impedidos de uso. É preciso identificar a composição e a situação de cada produto. Um exemplo é o recolhimento de lotes específicos de esmaltes e finalizadores da linha Impala Gel Plus, determinado em março por presença de TPO. A relação oficial informa as apresentações e os lotes atingidos; portanto, não se deve estender a restrição automaticamente a todos os produtos da marca. gov.br
Outro alerta recente interessa aos profissionais que aplicam mega hair e próteses capilares. Em 2 de outubro de 2026, a Anvisa anunciou a proibição de fabricação, importação, venda, distribuição, divulgação e uso do MAV C-22 Solvente Removedor de Cola Mega Hair, de fabricante desconhecido, e do GhostBond XL – With Extra Moisture Control Cola para Próteses Capilares. Na mesma ação, foram atingidos os lotes 614323 e 614326 do Perspirex Strong Antitranspirante Axilar, cuja fabricação não foi reconhecida pela empresa identificada no rótulo. Nesse último caso, o alerta se refere aos lotes apontados como falsificados. gov.br
Esses casos mostram por que a conferência não pode se limitar à marca conhecida ou à promessa do fornecedor. Nome completo, fabricante, composição, validade e lote precisam ser verificados. As medidas sanitárias podem alcançar uma substância, um produto ou somente determinados lotes. Como a situação pode mudar, a consulta deve ser feita nos canais da Anvisa, especialmente antes de comprar ou repor o estoque. Para alisantes, a agência mantém uma lista de produtos autorizados em atualização contínua. gov.br
Durante a aplicação, é indispensável seguir o rótulo, respeitar as restrições e utilizar luvas adequadas. Alisantes não devem ser aplicados em couro cabeludo irritado ou lesionado, nem utilizados em cílios e sobrancelhas. O teste de mecha recomendado pelo fabricante também precisa ser respeitado. Ardência, irritação nos olhos, tosse ou falta de ar não devem ser tratados como parte normal do procedimento. Diante de uma reação, interrompa o uso e procure assistência médica; dificuldade para respirar exige atendimento imediato. gov.br
Os instrumentos
A segurança também depende do processamento correto dos instrumentos. Alicates, pinças e espátulas que possam entrar em contato com sangue precisam de limpeza rigorosa e esterilização adequada. Passar álcool não substitui esse processo. A Anvisa orienta o uso de autoclave para esses materiais e recomenda consultar a Vigilância Sanitária local sobre as exigências aplicáveis ao estabelecimento. Higienizar as mãos, usar equipamentos de proteção e manter a vacinação atualizada são outras medidas essenciais. gov.br
Além dos produtos e instrumentos, a organização do trabalho merece atenção. Movimentos repetitivos, posturas mantidas por muito tempo, ruído e exposição a agentes químicos e biológicos fazem parte dos riscos encontrados em salões. Ajustar a altura de cadeiras e bancadas, organizar os materiais ao alcance e planejar pausas são medidas de prevenção que precisam integrar a rotina. Dor persistente e desconforto frequente devem motivar avaliação e revisão das condições de trabalho. riut.utfpr.edu.br
Em caso de suspeita de produto irregular, o trabalhador deve comunicar a Vigilância Sanitária do município. Reações a cosméticos também podem ser notificadas à Anvisa, preservando informações da embalagem e do lote para facilitar a investigação. O sindicato pode ajudar a encaminhar demandas coletivas e cobrar condições adequadas. Proteger quem trabalha nos salões é parte indispensável de um serviço de beleza seguro. gov.br
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