Nas eleições de outubro, o eleitor não escolherá apenas o presidente da República. Também elegerá deputados federais e senadores, que terão papel decisivo na aprovação — ou rejeição — das leis que afetam diretamente a vida dos trabalhadores.
Quando se fala em eleição, é comum que a atenção se concentre na disputa para presidente, governador ou prefeito. Mas existe uma parte fundamental do processo eleitoral que muitas vezes passa despercebida: a escolha dos representantes para o Poder Legislativo.
Em outubro, o eleitor brasileiro terá de escolher também seus representantes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
E essas escolhas são muito importantes.
É no Congresso Nacional que são discutidas, modificadas e votadas muitas das leis que determinam direitos trabalhistas, regras previdenciárias, políticas econômicas, orçamento público e inúmeras outras questões que interferem diretamente na vida da população.
Por isso, entender quem faz o quê no Congresso é também uma forma de votar melhor informado.
Câmara dos Deputados: a representação da população
A Câmara dos Deputados é formada por 513 deputados federais.
Os deputados representam a população de seus respectivos estados e do Distrito Federal. A distribuição das cadeiras leva em consideração a população de cada unidade da Federação, dentro dos critérios estabelecidos pela Constituição.
A Câmara é, portanto, a Casa que expressa de maneira mais direta a representação proporcional da população brasileira.
Os deputados federais podem:
- apresentar projetos de lei;
- discutir e votar propostas;
- alterar projetos encaminhados pelo Executivo;
- fiscalizar os atos do governo federal;
- participar da elaboração e aprovação do Orçamento da União;
- aprovar ou rejeitar determinadas propostas do governo;
- instaurar Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs);
- participar de processos de impeachment, nos casos previstos constitucionalmente.
A Câmara também exerce uma função especialmente importante nas propostas que envolvem mudanças na Constituição. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), por exemplo, precisa passar por votações na Câmara e no Senado, seguindo regras específicas e quórum qualificado.
E atenção: deputado federal não é deputado estadual
Essa diferença é importante.
O deputado federal atua no Congresso Nacional e participa das decisões de âmbito nacional.
O deputado estadual, por sua vez, atua na Assembleia Legislativa de seu estado e trata principalmente de matérias relacionadas à legislação estadual.
São eleições diferentes e funções diferentes.
Senado Federal: os estados também têm voz
O Senado Federal é formado por 81 senadores.
São três senadores para cada estado e três para o Distrito Federal, independentemente do tamanho da população.
Essa é uma diferença fundamental em relação à Câmara.
Enquanto a Câmara procura representar proporcionalmente a população, o Senado representa os estados e o Distrito Federal em igualdade de condições.
São Paulo, por exemplo, tem muito mais habitantes do que Roraima, mas ambos elegem três senadores.
O Senado tem, entre outras, a função de:
- discutir e votar projetos de lei;
- participar da elaboração de emendas à Constituição;
- fiscalizar o governo federal;
- analisar determinadas indicações feitas pelo presidente da República;
- autorizar operações de crédito de interesse da União, estados e municípios em determinadas situações;
- julgar o presidente e outras autoridades nos crimes de responsabilidade, conforme a Constituição;
- atuar em decisões relacionadas à Federação e aos interesses dos estados.
Por isso, o Senado não é uma espécie de “Câmara dos Deputados mais velha”. É uma Casa legislativa com composição e atribuições próprias.
Por que existem duas Casas?
O sistema brasileiro adota o chamado bicameralismo.
Isso significa que o Congresso Nacional é formado por duas Casas: Câmara dos Deputados e Senado Federal.
A ideia é fazer com que uma proposta importante seja analisada sob diferentes perspectivas.
Na Câmara, pesa a representação da população.
No Senado, todos os estados e o Distrito Federal têm o mesmo número de representantes.
Assim, para que determinadas mudanças importantes sejam aprovadas, é necessário construir entendimento nas duas Casas.
É justamente aí que aparece a importância política do voto para deputado federal e senador.
O Congresso pode ajudar ou atrapalhar o governo?
Pode apoiar, modificar, negociar ou rejeitar propostas do Poder Executivo, dentro das regras constitucionais.
O presidente da República não governa sozinho.
O Brasil possui três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
O Executivo é responsável, entre outras atribuições, por administrar o país e executar políticas públicas.
O Legislativo, exercido pelo Congresso Nacional, cria leis, fiscaliza o Executivo e participa das decisões sobre o orçamento e outras matérias de grande importância nacional.
Por isso, um presidente pode apresentar uma proposta ao Congresso e encontrar apoio para aprová-la.
Mas também pode encontrar resistência.
Uma proposta pode ser modificada pelos parlamentares ou rejeitada. Em determinadas situações, o Congresso pode ainda derrubar um veto presidencial, desde que sejam cumpridas as regras constitucionais.
Isso mostra uma coisa importante para o eleitor: a escolha do presidente e a escolha dos parlamentares fazem parte de uma mesma decisão política.
E o trabalhador tem alguma coisa a ver com isso?
Tem — e muito.
Leis que tratam de jornada de trabalho, salário, aposentadoria, FGTS, organização sindical, direitos sociais, relações de trabalho, tributação e políticas públicas passam, em diferentes momentos, pelo Legislativo.
Uma proposta que altere direitos dos trabalhadores pode ser apresentada, discutida, modificada e votada pelos parlamentares.
Por isso, não basta conhecer apenas o candidato a presidente.
Também é necessário observar quem será escolhido para ocupar as cadeiras do Congresso Nacional.
Um deputado federal ou senador não está ali apenas para “representar seu partido”.
Ele exercerá um mandato público e terá poder para participar de decisões que podem produzir consequências durante vários anos.
Quantos votos teremos em outubro?
Na eleição para o Congresso Nacional, o eleitor terá três votos:
1 voto para deputado federal
2 votos para senador
Isso significa que, na urna, o eleitor terá de escolher um candidato a deputado federal e dois candidatos diferentes ao Senado.
E existe uma diferença importante entre essas duas escolhas.
Para deputado federal
A eleição para deputado federal utiliza o sistema proporcional.
O resultado não depende simplesmente de saber quais candidatos individualmente receberam mais votos. Os votos recebidos pelos candidatos e pelos partidos ou federações são considerados no cálculo das vagas conquistadas.
Por isso, o voto em deputado também influencia a composição partidária da Câmara.
Para senador
A eleição é majoritária.
Em 2026, serão eleitos dois senadores por estado e dois pelo Distrito Federal, totalizando 54 novas vagas.
O Senado continuará com 81 integrantes, mas, neste ano eleitoral, duas cadeiras de cada unidade da Federação estarão em disputa.
O eleitor deverá, portanto, escolher dois candidatos diferentes para o Senado.
O que isso significa na prática?
Significa que o eleitor não está apenas escolhendo pessoas.
Está ajudando a definir a composição política do Congresso Nacional.
E essa composição terá influência direta sobre a capacidade do próximo governo de aprovar suas propostas.
Um governo pode ter boas propostas, mas precisará construir maioria e negociar com deputados e senadores para transformá-las em leis.
Da mesma forma, um Congresso pode criar obstáculos a determinadas políticas, modificar projetos ou rejeitar propostas.
É assim que funciona a democracia representativa.
O voto não termina no presidente
Para o trabalhador, compreender essa dinâmica é essencial.
Na eleição de outubro, serão escolhidos representantes para diferentes funções e níveis de governo.
Presidente, governador, deputado federal, deputado estadual ou distrital e senador não exercem a mesma função.
Cada cargo tem suas atribuições e seu espaço de atuação.
Por isso, antes de apertar a tecla “CONFIRMA”, é importante saber quem está recebendo o nosso voto, qual cargo pretende ocupar e que tipo de representação poderá exercer.
O voto é uma escolha individual, mas suas consequências são coletivas.
E, quando se trata do Congresso Nacional, essa escolha poderá influenciar diretamente as leis, os direitos sociais, as políticas públicas e as condições de vida e trabalho dos brasileiros.
Três votos para o Congresso. Muitas consequências.
1 deputado federal.
2 senadores.
São três escolhas que ajudarão a definir quem ocupará o Congresso Nacional nos próximos quatro anos e, consequentemente, quem participará das decisões que poderão proteger, ampliar, modificar ou restringir direitos.
Conhecer as funções de cada cargo é o primeiro passo para votar conscientemente.
Esta série, produzida pela Contratuh, tem caráter informativo e educativo. A decisão sobre em quem votar pertence exclusivamente ao eleitor.
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