A nota oficial divulgada pelas lideranças empresariais do comércio, serviços e turismo, durante o Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais em Blumenau, no fim de semana, apresenta uma série de críticas às medidas recentes do Governo Federal. É legítimo que o setor patronal manifeste suas preocupações, mas não podemos deixar de observar que, em meio a tantas reivindicações, o trabalhador — que sustenta o turismo e a hospitalidade com sua força de trabalho diária — foi praticamente esquecido.
Jornada 6×1 – dignidade antes da conveniência – Os empresários afirmam que a mudança sem prazo de adaptação gera custos imediatos. Do ponto de vista dos trabalhadores, a questão central é a dignidade. O turismo e a hospitalidade exigem jornadas intensas, muitas vezes em finais de semana e feriados. Reduzir a escala 6×1 significa oferecer descanso adequado, prevenir adoecimentos e garantir qualidade de vida. A transição pode ser negociada, mas não pode ser eternamente adiada em nome da conveniência patronal.
NR-1 – Saúde mental como prioridade – A nota critica os custos da aplicação da NR-1. Para os trabalhadores, trata-se de uma conquista. O contato constante com clientes, a pressão por produtividade e os horários extensos tornam o setor vulnerável a riscos psicossociais. Reconhecemos que pequenas empresas precisam de apoio para implementar a norma, mas não aceitamos que a saúde mental seja relativizada. O debate deve ser sobre como viabilizar, não sobre se aplicar.
Simples Nacional – justiça tributária também para quem trabalha – A crítica patronal ao congelamento dos limites do Simples Nacional é válida. Mas lembramos que a defasagem tributária afeta não apenas empresários, mas também trabalhadores, pois empresas sufocadas tendem a cortar empregos e benefícios. A atualização é necessária, mas deve vir acompanhada de garantias de que os ganhos fiscais não se traduzam apenas em margem de lucro, e sim em melhores condições de trabalho.
Concorrência internacional – proteger o comércio local é proteger empregos – O argumento contra a desoneração das plataformas estrangeiras é legítimo. Para os trabalhadores, significa risco direto de desemprego e precarização. O turismo depende de um comércio local forte, e se o varejo nacional enfraquece, toda a cadeia de hospitalidade perde vitalidade. Aqui, empresários e trabalhadores têm um ponto de convergência: defender o mercado interno.
Apostas online – foco social – Embora a nota mencione o impacto econômico das apostas, os sindicatos destacam o impacto social. O dinheiro que sai da economia real também representa famílias endividadas e trabalhadores em situação de vulnerabilidade. É preciso regular com responsabilidade, protegendo não apenas empresas, mas pessoas.
Diálogo e dignidade
O setor patronal pede diálogo e adaptação. Os trabalhadores pedem dignidade e valorização. O turismo e a hospitalidade só prosperam quando ambos caminham juntos. A crítica sindical à nota oficial não é rejeição, mas contraponto: não basta defender empresas, é preciso defender também quem dá vida a elas.
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