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Não basta eleger mulheres. É preciso respeitá-las

A democracia avança quando mais mulheres ocupam espaços de decisão. Mas esse avanço perde parte do seu significado quando elas são alvo de insultos, humilhações, ameaças ou tentativas de desqualificação apenas por serem mulheres.

O Brasil ampliou, ao longo dos anos, os mecanismos para incentivar a participação feminina nas eleições. Existem regras de incentivo às candidaturas de mulheres, reserva de recursos partidários e instrumentos legais para combater a violência política de gênero. Ainda assim, muitas candidatas e parlamentares relatam que enfrentam ataques que vão muito além da disputa de ideias.

Infelizmente, em diversos momentos da história recente, o debate político foi substituído pela agressão pessoal. Um dos episódios mais conhecidos ocorreu quando a então deputada Maria do Rosário ouviu de um colega parlamentar a frase: “Não te estupro porque você é feia.” A declaração provocou indignação nacional e acabou tendo desdobramentos judiciais.

Independentemente das posições políticas de cada cidadão, episódios como esse mostram um ponto essencial: divergências fazem parte da democracia; ofensas que atentam contra a dignidade das pessoas não deveriam fazer parte dela.

A violência política contra a mulher pode aparecer de várias formas: insultos de cunho sexual, ameaças, perseguições, divulgação de notícias falsas, intimidação nas redes sociais e tentativas de silenciar a atuação feminina. Em muitos casos, o objetivo é afastar mulheres da vida pública ou dificultar o exercício de seus mandatos.

Em 2021, a Lei nº 14.192 passou a tipificar a violência política contra a mulher e estabeleceu mecanismos para prevenir, reprimir e combater esse tipo de conduta. A legislação representa um passo importante para assegurar que a disputa eleitoral ocorra dentro dos limites do respeito e da legalidade.

Para os trabalhadores e trabalhadoras, esse debate também é relevante. Mulheres participam dos sindicatos, das associações, dos conselhos e dos parlamentos levando reivindicações sobre salário, jornada, saúde, educação, turismo, hospitalidade e tantas outras pautas que afetam diretamente a população. Quando uma mulher é atacada por sua condição feminina, toda a representação democrática é enfraquecida.

Nas eleições de 2026, o eleitor pode fazer mais do que escolher candidatos. Pode também valorizar campanhas baseadas em propostas, no respeito às diferenças e no compromisso com uma convivência democrática.

Mais mulheres na política é importante. Mas isso, por si só, não basta. O verdadeiro fortalecimento da democracia acontece quando elas podem exercer sua atividade pública com liberdade, segurança e respeito.

“Democracia exige debate de ideias, não violência contra mulheres.”

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