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O deputado, o patrão e o trabalhador desamparado

Em um cenário onde as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificaram parâmetros sobre a sustentabilidade das entidades de classe e o direito de oposição, a insistência do deputado Nikolas Ferreira em emplacar regras ainda mais rígidas para o desconto da contribuição assistencial soa menos como zelo pelo bolso do trabalhador e mais como uma manobra calculada para enfraquecer o movimento sindical.

Ao exigi-lo mediante trâmites individuais e burocráticos ao limite, o projeto atinge diretamente a capacidade de organização coletiva. No papel, o discurso vende a ilusão da “liberdade individual”. Na prática cotidiana do chão de fábrica e das empresas, enfraquecer o sindicato significa deixar a mesa de negociação pender inteiramente para o lado mais forte.

Sem a blindagem jurídica e a força de mobilização de uma entidade sindical, a dita “liberdade” do trabalhador vira fragilidade. Afinal, a quem o empregado recorrerá quando o patrão decidir cortar benefícios, impor horários abusivos ou demiti-lo sem cumprir as garantias legais?

Será que o trabalhador demitido e sem rescisão vai bater à porta do gabinete parlamentar em Brasília para pedir arrego? O deputado vai parar sua agenda para interceder por cada carteira de trabalho assinada neste país? Fará uma caminhada com os trabalhadores, das suas bases eleitorais até Brasília para exigir justiça? É evidente que não. Ao tentar estrangular a estrutura que garante a negociação coletiva, estimula-se a arbitrariedade patronal e deixa-se a ponta mais fraca do contrato sem qualquer respaldo de classe.

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