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Nova tendência transforma o turismo e a hotelaria

O turismo contemporâneo já não se resume a visitar pontos turísticos famosos, provar pratos típicos ou registrar cenários instagramáveis. Cada vez mais, o viajante busca propósito em suas escolhas — seja na cidade, no passeio ou no hotel. Essa tendência, batizada de Whycation (junção de why e vacation), foi destacada pela Revista Tendências do Turismo, da Embratur e do Ministério do Turismo, como uma das grandes expectativas de 2026. A ideia é simples: mais importante que o destino é o “porquê” da viagem.

Nesse novo paradigma, o estado de espírito, os desejos internos e a busca por conexões ou estímulos criativos tornam-se centrais. O objetivo é viver experiências transformadoras, capazes de gerar aprendizado, reflexões e até mudanças pessoais profundas. Essa lógica se conecta diretamente à consciência sobre o impacto que deixamos no mundo. Não por acaso, uma pesquisa da Booking.com revelou que 98% dos brasileiros pretendem viajar de forma mais sustentável, consolidando essa prática como padrão de comportamento.

Diante desse perfil mais exigente e consciente, hotéis têm se reinventado. Em Curitiba, o NH Collection adaptou seus serviços para oferecer não apenas descanso, mas imersão cultural. Exposições de artistas locais no lobby, roteiros personalizados e espaços voltados ao autocuidado — como spa e terraço ao ar livre — são parte da estratégia. “Os hóspedes modernos querem estadias que façam sentido para o seu momento de vida”, afirma o diretor Antonio Albuquerque.

A gastronomia também acompanha essa transformação. No restaurante Trinitas, a chef Vania Krekniski aposta em insumos orgânicos e regionais, como o Mel do Oeste do Paraná e a Bala de Banana de Antonina, ambos com Indicação Geográfica reconhecida pelo Inpi. Uvas de Marialva e embutidos da Salumeria Romani, de Mandirituba, completam o cardápio. “Estar conectados aos produtores locais é uma forma de tornar a cozinha mais sustentável e atender ao que os hóspedes mais buscam: propósito”, explica.

Esse movimento reflete uma mudança global. As recentes manifestações contra o excesso de turistas em cidades como Barcelona mostram que o futuro do turismo depende de equilíbrio: experiências significativas para quem viaja, justiça para quem recebe e respeito ao meio ambiente e às comunidades. O viajante do presente quer mais que lembranças — busca sentido.

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