A preservação da memória política e sindical da Baixada Santista ganhou um registro fundamental com a publicação do livro “Claudio José Ribeiro… Coutinho ou Agenor – Entrevista com um Comunista”. Escrita pelo advogado Sérgio Pardal Freudenthal e pelo jornalista Lucas Vasques, a obra foi recentemente lançada na sede do Sindicato dos Químicos da Baixada Santista, em Santos. Mais do que um evento comemorativo, o livro cumpre o papel crucial de resgatar o legado de uma das figuras mais expressivas da resistência operária e da redemocratização regional.
Pioneiro das Lutas Operárias
Nascido em 1922, Claudio José Ribeiro chegou à região para trabalhar nas obras da Via Anchieta, ponto de partida para uma trajetória marcada pela militância inegociável em defesa dos trabalhadores. Seu impacto na história local confunde-se com a própria emancipação de Cubatão: Claudio integrou a primeira legislatura municipal da cidade, eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em um cenário político adverso, no qual o Partido Comunista Brasileiro (PCB) sofria duras restrições legais.
A atuação de Claudio como liderança operária foi determinante para a organização dos trabalhadores das indústrias químicas e para a articulação de greves gerais e mobilizações no polo industrial de Cubatão e em toda a Baixada Santista. Essa postura firme diante das injustiças sociais o colocou na mira da perseguição política, culminando em sua cassação por forças conservadoras e na atuação sob a clandestinidade — onde adotou o codinome Coutinho.
Reconhecimento
A dimensão histórica de sua luta atravessou décadas e foi formalmente reconhecida pelo Estado: sua trajetória inspirou o batismo oficial da Comissão da Verdade de Cubatão com o nome de Vereador Claudio José Ribeiro, além de figurar em depoimentos preservados pela Comissão da Verdade paulista.
Ao resgatarem essa biografia de coragem, paciência e entrega à causa operária, Sérgio Pardal Freudenthal e Lucas Vasques prestam um serviço inestimável à sociedade. Conforme pontuou Herbert Passos, presidente do Sindicato dos Químicos, a obra devolve às novas gerações o espelho de uma história que se confunde com a evolução do próprio sindicalismo e do Partido Comunista na região.
Mais do que relembrar o passado, o livro honra a memória de um operário que dedicou a vida aos direitos coletivos, eternizando a coragem de quem recusou curvar-se ante a opressão.
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