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Fim da escala 6×1: trabalhador precisa cobrar voto, não promessa

Wilson Pereira alerta que o período eleitoral não pode transformar uma reivindicação histórica em simples discurso de campanha

Entre as propostas em discussão no Congresso Nacional, poucas têm impacto tão direto na vida da classe trabalhadora quanto o fim da escala 6×1. Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (CONTRATUH), Wilson Pereira, chegou o momento de trabalhadores e dirigentes sindicais ampliarem a mobilização e exigirem dos parlamentares mais do que declarações de apoio: é preciso compromisso traduzido em voto.

A mudança pode beneficiar milhões de brasileiros que atuam no comércio, turismo, hotelaria, gastronomia, supermercados, farmácias e em diferentes atividades do setor de serviços. São trabalhadores que ainda enfrentam uma rotina desgastante de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso, muitas vezes sem tempo adequado para a família, o lazer, a saúde e a recuperação física e emocional.

Na avaliação de Wilson Pereira, a inclusão do tema entre as prioridades do Senado demonstra que a pressão promovida pelo movimento sindical e pela sociedade começou a produzir resultados. A proposta ganhou espaço no debate público porque os trabalhadores se mobilizaram, denunciaram os efeitos dessa jornada e mostraram que descansar dignamente não é privilégio, mas uma necessidade humana e um direito social.

O presidente da CONTRATUH, entretanto, faz um alerta: em períodos eleitorais, multiplicam-se discursos favoráveis às reivindicações populares, fotografias ao lado de dirigentes sindicais e promessas de defesa dos trabalhadores. Nem sempre, porém, essas manifestações chegam às comissões ou ao Plenário na forma de votos concretos.

“O trabalhador não pode se contentar com promessa de campanha. Precisamos saber quem realmente vai votar pelo fim da escala 6×1 e quem está apenas aproveitando a popularidade do tema para conquistar votos”, provoca Wilson Pereira.

Para ele, cada parlamentar deverá demonstrar, no momento decisivo, se está ao lado dos trabalhadores ou dos interesses econômicos que defendem a manutenção de jornadas exaustivas. Não basta declarar apoio nas redes sociais, nos palanques ou durante visitas às entidades. O verdadeiro compromisso será revelado pela presença nas votações, pela atuação nas comissões e pelo voto aberto em favor da proposta.

Wilson Pereira também chama os sindicatos do turismo e da hospitalidade à responsabilidade. As entidades precisam manter suas bases informadas, procurar os parlamentares de seus estados, divulgar posicionamentos e acompanhar cada etapa da tramitação. A aprovação não virá como concessão espontânea do Congresso: dependerá de organização, pressão social e mobilização permanente.

O debate sobre o fim da escala 6×1 poderá, inclusive, transformar-se em importante critério para a escolha dos candidatos. O trabalhador terá o direito de perguntar quem efetivamente ajudou a proposta a avançar, quem tentou modificá-la para reduzir seu alcance, quem se omitiu e quem apareceu como defensor somente depois que a reivindicação conquistou apoio popular.

“Chegou a hora de separar quem defende o trabalhador de verdade de quem apenas procura o seu voto. A classe trabalhadora precisa acompanhar, cobrar e guardar os nomes. Discurso não muda jornada. Promessa não garante descanso. O que transforma a realidade é voto favorável, compromisso e ação”, conclui o presidente da CONTRATUH.

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