Documento propõe compromissos com a igualdade racial, a reparação histórica e a ampliação da representatividade nos espaços de poder
Mulheres negras de diferentes regiões e gerações lançaram, em Brasília, o “Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026”. Coordenado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), o documento reúne propostas dirigidas a candidatos, partidos e futuros governantes, com foco na justiça racial, na igualdade, na solidariedade e na garantia de uma vida digna para toda a população.
O manifesto defende que mulheres pretas e pardas deixem de ser vistas apenas como beneficiárias de políticas públicas e passem a ocupar, de forma efetiva, os espaços onde essas políticas são formuladas. A proposta destaca sua atuação como eleitoras, lideranças comunitárias, gestoras e candidatas, cobrando dos partidos maior valorização política e distribuição justa dos recursos destinados às campanhas.
A mobilização também lançou a campanha nacional #EuVotoEmNegra, criada para incentivar a eleição de mulheres negras. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, entre as 20.560 candidaturas registradas para as eleições de 2026, 1.234 são de mulheres pretas e 2.485 de mulheres pardas. Juntas, elas representam pouco mais de 18% do total, índice ainda distante de sua presença na população brasileira.
Além da representatividade, o Pacto do Bem Viver reivindica políticas de enfrentamento ao racismo e ao sexismo, ampliação dos serviços públicos, proteção dos direitos sociais e participação das comunidades negras nas decisões políticas e orçamentárias. O documento também alerta para a propagação de discursos de ódio e de informações manipuladas nas plataformas digitais, utilizadas para atacar grupos historicamente marginalizados e enfraquecer conquistas trabalhistas e sociais.
Para as organizadoras, garantir a presença de mulheres negras nos Legislativos e no Executivo é uma medida necessária para fortalecer a democracia e corrigir desigualdades construídas ao longo de séculos. O lançamento reuniu mulheres pioneiras, adultas e jovens, incluindo representantes trans e travestis, em um pacto entre gerações pela ocupação dos espaços de decisão.
Mais do que uma declaração de princípios, o manifesto pretende servir como instrumento de cobrança durante e depois das eleições. A mensagem dirigida aos eleitores e candidatos é clara: não há democracia verdadeiramente representativa sem a participação ativa das mulheres negras na construção dos rumos do país.
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