A decisão que retirou a obrigatoriedade da homologação sindical nas rescisões de contrato de trabalho continua gerando debates no meio sindical e trabalhista brasileiro. O tema será novamente colocado em discussão hoje, 20 de maio, às 12h, no @podcastfetherj, com a participação de Sérgio do Carmo, presidente do Sindfilantrópicas.
O presidente da Fetherj, Manoel Martins Meireles, orienta que todos os sindicatos deveriam lutar nos processos de negociação coletiva pela obrigatoriedade das homologações das rescisões nos sindicatos. A maioria dos trabalhadores desligados, sequer buscam a conferência dos valores recebidos.
O vice-presidente da Fetherj, Cláudio Rocha explica que “a homologação era o procedimento realizado, tradicionalmente nos sindicatos, para conferir se o trabalhador demitido estava recebendo corretamente todos os seus direitos trabalhistas no encerramento do contrato. Durante décadas, esse mecanismo funcionou como uma espécie de fiscalização preventiva, especialmente nos casos de empregados com mais tempo de serviço.
A mudança ocorreu após a Reforma Trabalhista de 2017, que alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e extinguiu a obrigatoriedade da assistência sindical nas rescisões contratuais. Desde então, empregadores passaram a poder formalizar desligamentos diretamente nas empresas, sem a necessidade de conferência pelo sindicato ou pelo Ministério do Trabalho.”
Defensores da mudança argumentam que a medida reduziu burocracias, acelerou processos e modernizou as relações trabalhistas. Para setores empresariais, a exigência anterior muitas vezes gerava atrasos, deslocamentos e custos administrativos considerados desnecessários.
Por outro lado, dirigentes sindicais e especialistas em Direito do Trabalho apontam que o fim da homologação obrigatória enfraqueceu a proteção ao trabalhador, especialmente os de menor renda ou menor conhecimento sobre seus direitos. Segundo essas avaliações, muitos empregados passaram a assinar rescisões sem compreender integralmente os valores recebidos, o cálculo das verbas ou até mesmo possíveis irregularidades.
A discussão também envolve o papel dos sindicatos nas relações de trabalho contemporâneas. Para parte do movimento sindical, a retirada da homologação representou não apenas uma mudança burocrática, mas uma alteração no equilíbrio de forças entre capital e trabalho, reduzindo espaços históricos de mediação e orientação ao empregado.
Nos últimos anos, diversos sindicatos mantiveram serviços voluntários de conferência de rescisões, mesmo sem obrigação legal, numa tentativa de preservar o atendimento e a assistência jurídica aos trabalhadores.
O debate promovido pela FETHERJ pretende justamente aprofundar essas questões, discutindo se o fim da homologação representou apenas uma simplificação administrativa ou se provocou impactos mais profundos na proteção trabalhista e nas relações de poder dentro do mundo do trabalho.
A participação de Sérgio do Carmo, presidente do Sindfilantrópicas, deve trazer ao centro da conversa a realidade enfrentada por trabalhadores e entidades sindicais após as mudanças introduzidas pela Reforma Trabalhista, tema que continua mobilizando sindicatos, juristas e representantes patronais em todo o país.
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