Em meio ao avanço da PEC que propõe o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional, o debate sobre redução da jornada de trabalho ganhou novos contornos políticos e econômicos. Reportagem publicada na newsletter Cartas Marcadas, do jornalista Paulo Motoryn, no portal Intercept Brasil, destaca o protagonismo da economista Marilane Teixeira, pesquisadora da Unicamp, que vem contrariando os argumentos de entidades empresariais contrárias à proposta.
Segundo o texto, representantes patronais e setores ligados à direita política intensificaram a pressão para frear ou desidratar a proposta, defendendo desde longos períodos de transição até compensações fiscais ao empresariado. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, entrou no debate criticando o fim da escala 6×1 e defendendo maior “flexibilização” das relações de trabalho.
Na contramão desse discurso, Marilane Teixeira afirma que a redução da jornada sem corte salarial não representa ameaça à economia. De acordo com estudos coordenados por ela no Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, a adoção de jornadas menores pode estimular ganhos de produtividade e gerar empregos.
Os estudos apontam que, no cenário atualmente discutido no Congresso — com redução para 40 horas semanais —, o país poderia criar entre 600 mil e 700 mil novos postos de trabalho. Em versões anteriores da proposta, com jornada de 36 horas, a projeção chegava a mais de 4 milhões de empregos.
A economista argumenta que setores mais intensivos em tecnologia tendem a absorver a mudança com reorganização produtiva e aumento de eficiência. Já áreas tradicionalmente submetidas à escala 6×1, como comércio, supermercados, shopping centers, farmácias, hotelaria e serviços, precisariam ampliar contratações para manter o funcionamento contínuo.
Na entrevista reproduzida pelo Intercept Brasil, Teixeira sustenta que o debate ultrapassa os limites econômicos e se tornou uma disputa política sobre o futuro do trabalho e a qualidade de vida da população. Para ela, a redução da jornada busca enfrentar problemas como adoecimento, desgaste físico, rotatividade e precarização das relações trabalhistas.
A pesquisadora também rebateu declarações de representantes patronais que alegam inviabilidade operacional em setores que funcionam todos os dias da semana. Segundo ela, a reorganização das escalas é plenamente possível e já ocorre em diversos segmentos da economia.
O texto do Intercept ressalta ainda que a proposta do fim da escala 6×1 passou a ganhar força política nos últimos meses, impulsionada pelo apoio do governo Lula, pela aceleração da tramitação na Câmara dos Deputados e pelo forte apelo popular do tema entre trabalhadores.
Fonte: Cartas Marcadas – Paulo Motoryn / Intercept Brasil.





