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DIEESE: reduzir jornada pode colocar 425 mil jovens a mais na escola

Estudo do DIEESE mostra que jornadas acima de 40 horas são maioria no Brasil, estão associadas a salários menores e dificultam que jovens conciliem emprego e estudo.

A redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate nacional e ganha força com dados que mostram seus possíveis impactos positivos sobre a qualificação profissional, a renda e a qualidade de vida dos trabalhadores. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) revela que três em cada quatro trabalhadores celetistas cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais e que as longas jornadas estão associadas a menores salários e a menos oportunidades de formação, especialmente entre os jovens.

Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2024, a jornada média dos vínculos celetistas no Brasil foi de 41 horas e 32 minutos por semana. Dos 48,7 milhões de vínculos analisados, cerca de 36,6 milhões tinham jornadas acima de 40 horas semanais. Em setores como agropecuária, construção civil e comércio, mais de 90% dos trabalhadores estavam nessa condição.

O estudo mostra ainda que trabalhar mais horas não significa receber melhor. Os empregados com jornada de exatamente 40 horas semanais tiveram remuneração média de R$ 5.555 em dezembro de 2024, enquanto aqueles que cumpriam entre 41 e 44 horas receberam, em média, R$ 2.560 — diferença de 117%.

Para o DIEESE, as jornadas extensas reduzem o tempo disponível para estudo, qualificação continuada e desenvolvimento profissional. Entre os trabalhadores formais com ensino superior completo, quase metade (47%) estava em jornadas de 40 horas. Já entre os que possuíam apenas ensino médio completo, predominavam as jornadas entre 41 e 44 horas semanais.

O impacto é ainda mais evidente entre os jovens. Entre os empregados formais de até 29 anos que trabalhavam até 35 horas semanais, metade conseguia conciliar trabalho e estudo. Quando a jornada era de 40 horas, esse percentual caía para 22,3%. Entre aqueles que trabalhavam de 41 a 44 horas, apenas 17,1% estudavam.

Com base nesses dados, o DIEESE estimou que a redução da jornada para 40 horas semanais poderia permitir que até 425 mil jovens a mais passassem a conciliar emprego formal e estudos. O órgão ressalta que o aumento do tempo livre não garante automaticamente o retorno à escola, pois fatores como renda e condições de vida também influenciam essa decisão. Ainda assim, a redução da jornada ampliaria significativamente as possibilidades de qualificação.

O debate ganhou novo impulso com propostas legislativas que defendem a redução da jornada sem redução salarial e com dois dias de descanso por semana, preferencialmente aos sábados e domingos. A discussão também está ligada à mobilização pelo fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos para descansar apenas um.

O DIEESE lembra que a redução da jornada é uma pauta histórica da classe trabalhadora. A Constituição de 1988 já diminuiu o limite semanal de 48 para 44 horas sem causar prejuízos à economia brasileira. Agora, os dados indicam que um novo avanço pode produzir efeitos positivos não apenas sobre as condições de vida dos trabalhadores, mas também sobre a produtividade do país, ao ampliar o acesso à formação e à qualificação profissional.

Para o movimento sindical, o estudo reforça que a luta pela redução da jornada não se resume ao direito ao descanso. Trata-se também de uma política capaz de ampliar oportunidades educacionais, favorecer a mobilidade social e contribuir para uma força de trabalho mais qualificada e preparada para os desafios da economia brasileira.

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