A presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia Zerino, voltou a defender a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, destacando que a medida representa um avanço na garantia de mais qualidade de vida, saúde e dignidade para a classe trabalhadora. O posicionamento foi reafirmado durante pronunciamento na tribuna do Senado Federal, diante de parlamentares e representantes dos estados.
Em sua manifestação, Sônia enfatizou que o debate vai muito além da quantidade de horas trabalhadas. “Não estamos discutindo apenas números ou horas trabalhadas. Estamos falando de vidas, do direito de milhões de trabalhadores e trabalhadoras de conviver com suas famílias, cuidar da saúde, estudar, descansar e viver com dignidade”, afirmou.
A dirigente também destacou o impacto da jornada de trabalho sobre as mulheres, que, além das atividades profissionais, continuam assumindo a maior parte das responsabilidades domésticas e dos cuidados com a família. Segundo ela, estudos mostram que as mulheres dedicam, em média, 16 horas semanais a mais do que os homens às tarefas domésticas e de cuidados, realidade que amplia a sobrecarga física e emocional.
Durante o discurso, Sônia relacionou ainda a redução da jornada ao enfrentamento da violência contra a mulher. Ela relatou que, em uma atividade promovida pela Nova Central, trabalhadoras defenderam a ampliação do funcionamento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher nos fins de semana, período em que grande parte dos casos de violência doméstica é registrada.
Para a presidente da NCST, a organização do trabalho precisa acompanhar as transformações da sociedade e garantir condições mais equilibradas aos trabalhadores. Segundo ela, jornadas menos extensas contribuem para a preservação da saúde física e mental, fortalecem a convivência familiar, ampliam as oportunidades de qualificação profissional e podem refletir positivamente na produtividade e no ambiente de trabalho.
Sônia Zerino reconheceu que a mudança exige diálogo entre trabalhadores, empregadores e governo, respeitando as particularidades dos diferentes setores da economia e assegurando segurança jurídica durante a transição. “O desafio é construir um modelo de desenvolvimento que coloque a pessoa humana no centro das decisões, conciliando crescimento econômico, competitividade e qualidade de vida”, concluiu.
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