A mobilização das centrais sindicais pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho chegou a um momento decisivo. Nesta segunda-feira (25), durante reunião da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, sindicalistas como Sônia Zerino e José Reginaldo, da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e Wilson Pereira da Contratuh, reforçaram a pressão histórica do movimento sindical pela aprovação da PEC 221.
O relator, deputado Léo Prates, apresentou parecer favorável à redução gradual da jornada para 40 horas semanais, sem corte de salários, e com a garantia de dois dias de descanso remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos. A votação, que estava prevista para o mesmo dia, foi adiada após pedido de vista coletiva, mas já tem nova data marcada: quarta-feira, 27 de maio, quando a Câmara deve decidir se avança com a proposta.
O texto prevê que, 60 dias após a promulgação, a jornada caia de 44 para 42 horas semanais, e que em 12 meses seja fixada em 40 horas. A medida atende a uma reivindicação que atravessa décadas de luta sindical. Como destacou o presidente da Contratuh, Wilson Pereira, trata-se de uma conquista aguardada com ansiedade: “O trabalhador brasileiro esperou muito por esse momento. Foram anos de mobilização incansável, de resistência e de esperança. Agora, finalmente, vemos a possibilidade real de garantir uma jornada mais justa e humana”.
Quarta decisiva
A matéria será analisada novamente pela comissão especial na próxima quarta-feira (27), antes de seguir para votação no plenário da Câmara e, posteriormente, no Senado Federal.
A proposta ainda terá de passar pelo crivo do Senado Federal e, em seguida, chegará às mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá sancioná-la. Até lá, o movimento sindical promete manter a pressão nos corredores do Congresso, lembrando que esta não é apenas uma mudança legislativa, mas o resultado de uma longa espera e da persistente luta da classe trabalhadora.
Esse tom de expectativa e de conquista dá à PEC 221 um caráter histórico: não se trata apenas de reduzir horas de trabalho, mas de reconhecer o direito ao descanso, à convivência familiar e à dignidade de milhões de brasileiros que, por anos, viveram sob a extenuante escala 6×1.
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