A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados deu o primeiro passo para aprovar uma alteração importante no cálculo das aposentadorias e pensões por morte pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A proposta, prevista no Projeto de Lei nº 6.841/2025 (de autoria do deputado Duda Ramos – Podemos/RR) e relatada favoravelmente pela deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), cria um adicional de 5% por filho no valor dos benefícios previdenciários de mulheres que comprovarem dedicação direta ao cuidado dos dependentes.
Como Funcionará o Aumento (Regras Principais)
- Percentual e Limite:O acréscimo será de 5% por filho (seja biológico ou adotado), limitado a até 3 filhos.Ou seja, o reajuste máximo no benefício pode chegar a 15%.
- Quais benefícios entram: Aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e pensões por morte.
- Valores atingidos: Válido para seguradas que recebem valores entre o piso nacional (salário mínimo) e o teto do INSS.
- Validade apenas para futuros benefícios: O projeto não permite a revisão de aposentadorias antigas. A regra valerá somente para os benefícios concedidos após a eventual promulgação e entrada em vigor da lei.
- Perfil do trabalho: O direito será assegurado a trabalhadoras com carteira assinada, autônomas, informais e desempregadas, independentemente de terem se afastado do trabalho durante a criação dos filhos.
Requisitos para receber
Para ter acesso ao adicional, as mães precisarão preencher os seguintes critérios:
- Maternagem direta: Comprovar a dedicação ao cuidado dos filhos por gestação ou adoção.
- Poder Familiar:Não ter perdido o poder familiar (pátrio poder).
- Comprovação Documental:Apresentar a documentação exigida, que será regulamentada em detalhes pelo Governo Federal após a aprovação da lei (em prazo previsto de até 90 dias).
Por que o projeto foi criado?
De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres no Brasil dedicam, em média, o dobro do tempo semanal dos homens em tarefas domésticas e de cuidado.
Essa sobrecarga histórica gera:
- Interrupções frequentes na carreira profissional.
- Menor tempo total de contribuição ao INSS.
- Maior passagem pelo mercado informal.
- Resultado final: Benefícios de aposentadoria significativamente menores na velhice.
O adicional atua, portanto, como uma medida compensatória para reduzir essa desigualdade socioeconômica.
Próximos Passos no Congresso
O projeto tramita em caráter conclusivo — o que significa que, se for aprovado por todas as comissões técnicas da Câmara, não precisará ir à votação no Plenário geral, seguindo direto para o Senado.
Etapas restantes na Câmara dos Deputados:
- Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF)(Etapa atual).
- Comissão de Finanças e Tributação (CFT).
- Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Atenção: O adicional ainda não está pagando ninguém e não é uma lei definitiva. O texto precisa passar pelas comissões restantes, ser aprovado no Senado e sancionado pela Presidência da República para passar a valer.
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