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Brasil desponta no turismo internacional, mas trabalhadores ainda têm desafios

Entre 2019 e 2025, o Brasil registrou um crescimento de 46% na chegada de turistas estrangeiros, tornando-se o quarto país com maior expansão no turismo internacional, segundo o relatório Tendências e Políticas do Turismo da OCDE. O número de visitantes passou de 6,3 milhões para 9,3 milhões, superando destinos tradicionais como Japão, Portugal, Espanha e França em termos proporcionais.

Esse avanço coloca o Brasil em posição de destaque no cenário global, atrás apenas de Arábia Saudita (67%), Marrocos (53%) e Egito (47%). Na América do Sul, o desempenho brasileiro contrasta com a retração de países vizinhos como Argentina (-23%) e Peru (-22%), consolidando o país como líder regional em crescimento turístico.

Economia e contradições

Apesar do aumento expressivo no fluxo de visitantes, o setor enfrenta um desafio estrutural: o déficit nos gastos turísticos. Em 2024, estrangeiros deixaram US$ 7,3 bilhões no Brasil, enquanto os brasileiros gastaram US$ 19,6 bilhões em viagens ao exterior. Nos primeiros seis meses de 2026, os gastos de turistas internacionais no país chegaram a R$ 28,7 bilhões, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior — sinal de recuperação, mas ainda insuficiente para equilibrar a balança.

O impacto sobre os trabalhadores

O crescimento do turismo internacional tem efeitos diretos sobre milhões de trabalhadores brasileiros que atuam em hotéis, restaurantes, agências de viagem, transporte e serviços culturais. A expansão da demanda abre novas oportunidades de emprego e renda, mas também expõe fragilidades:

  • Precarização: muitos postos de trabalho no setor ainda são informais, sem garantias trabalhistas.
  • Capacitação: a chegada de turistas de diferentes países exige maior qualificação em idiomas e atendimento especializado.
  • Distribuição desigual: enquanto destinos consolidados como Rio de Janeiro e São Paulo concentram grande parte dos visitantes, regiões com potencial turístico ainda carecem de infraestrutura e políticas públicas.

Perspectivas

O relatório da OCDE destaca que o turismo global vive uma fase de expansão pós-pandemia, impulsionado pela conectividade aérea e pelo interesse em destinos emergentes. Para o Brasil, o desafio é transformar o crescimento em ganhos sustentáveis para a economia e para os trabalhadores do setor, garantindo que o aumento no fluxo de visitantes se traduza em empregos de qualidade e valorização da mão de obra.

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