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Agosto Lilás lembra que a mulher precisa de proteção

O Agosto Lilás de 2026 chega carregado de simbolismo e urgência. Ao celebrar os 20 anos da Lei Maria da Penha, o Brasil se vê diante de uma encruzilhada: de um lado, a conquista histórica de um marco jurídico que inspirou legislações em outros países; de outro, a persistência de índices alarmantes de violência contra mulheres, que revelam o quanto ainda precisamos avançar.

Não basta iluminar monumentos de lilás ou promover campanhas educativas se, na prática, milhares de mulheres continuam sendo silenciadas dentro de suas próprias casas. Os números de feminicídios e agressões domésticas mostram que a violência de gênero não é exceção, mas uma realidade estrutural que atravessa classes sociais, regiões e gerações. É preciso reconhecer que a lei, por si só, não transforma a cultura: ela precisa ser acompanhada de políticas públicas eficazes, de uma rede de acolhimento fortalecida e de uma sociedade disposta a romper com padrões machistas que naturalizam a agressão.

A recente autorização para a compra de spray de pimenta por mulheres, sancionada em julho, reacende o debate sobre segurança e prevenção. Mas é legítimo questionar: até que ponto medidas individuais de defesa podem substituir o dever coletivo de garantir proteção? A responsabilização não pode recair sobre a vítima; o Estado e a sociedade têm a obrigação de assegurar que nenhuma mulher precise se armar para sobreviver.

O Agosto Lilás, portanto, deve ser mais do que uma campanha simbólica. É um chamado à reflexão crítica sobre nossas práticas cotidianas, sobre o silêncio cúmplice que ainda permeia muitos lares e sobre a urgência de transformar indignação em ação. Celebrar a Lei Maria da Penha é reconhecer sua importância, mas também é admitir que ela não basta. O verdadeiro tributo a esses 20 anos será construído quando conseguirmos, de fato, garantir às mulheres uma vida livre de violência.

O recado é claro e deve ecoar em cada espaço da sociedade: basta de violência contra as mulheres.

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