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Trabalhador reconhece sindicato como essencial na defesa classista

Uma pesquisa realizada com comerciários de Santa Catarina ajuda a desmontar uma ideia que vem sendo repetida com frequência no debate sobre o mundo do trabalho: a de que os trabalhadores teriam deixado de acreditar nos sindicatos. Os resultados apontam justamente na direção contrária. Mesmo diante de práticas antissindicais, do medo de retaliações e da alta rotatividade no emprego, os trabalhadores continuam reconhecendo as entidades sindicais como instrumentos importantes de defesa de direitos, orientação e negociação.

O diagnóstico catarinense encontra respaldo em uma pesquisa nacional realizada pelo Vox Populi, em 2025. Segundo o levantamento, 68% dos trabalhadores brasileiros consideram os sindicatos importantes ou muito importantes para a melhoria das condições de trabalho.

A pesquisa em Santa Catarina revela que essa percepção não se limita aos trabalhadores sindicalizados. Comerciários, inclusive aqueles que não possuem vínculo formal com uma entidade, reconhecem no sindicato um representante legítimo diante de conflitos e questões relacionadas às relações de trabalho.

Na prática, o sindicato continua sendo procurado quando surgem dúvidas sobre a legislação, problemas no ambiente profissional ou situações em que o trabalhador precisa de orientação e defesa. Entre as demandas mais frequentes aparecem questões aparentemente básicas, mas que ainda exigem mobilização para serem respeitadas, como o direito às folgas aos domingos, o cumprimento da legislação trabalhista e a garantia de condições adequadas de trabalho.

O problema, portanto, não parece estar na falta de reconhecimento da importância sindical, mas nas dificuldades encontradas para transformar esse reconhecimento em participação efetiva.

O obstáculo chamado antissindicalismo

Entre os fatores que dificultam a aproximação dos trabalhadores com os sindicatos estão as práticas antissindicais adotadas em determinados ambientes empresariais, o receio de retaliações e a elevada rotatividade da mão de obra.

Um dado chama atenção em Santa Catarina: 73% dos trabalhadores pesquisados são demitidos e recontratados no mesmo ano. Uma realidade como essa dificulta a criação de vínculos duradouros, enfraquece a organização coletiva e pode contribuir para que o trabalhador evite qualquer iniciativa que possa ser interpretada pela empresa como uma aproximação com o sindicato.

É nesse cenário que o discurso de que “o trabalhador não quer sindicato” precisa ser analisado com cuidado. Uma coisa é não participar de uma entidade; outra, bastante diferente, é não reconhecer sua importância.

Os números nacionais ajudam a estabelecer essa diferença.

A percepção também aparece no cenário nacional

A pesquisa Vox Populi mostra que, além dos 68% que consideram os sindicatos importantes ou muito importantes, 52% dos entrevistados afirmam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a atuação sindical.

Também são expressivos os índices de trabalhadores que reconhecem diferentes funções desempenhadas pelas entidades. Para 67,1%, os sindicatos contribuem para a melhoria dos salários e das condições de trabalho. O mesmo percentual identifica a mediação entre trabalhadores e empresas como uma de suas funções relevantes. Já 67,8% associam a atuação sindical à melhoria da qualidade de vida, enquanto 64,3% reconhecem o papel das entidades na defesa dos direitos da classe trabalhadora.

As prioridades apontadas pelos entrevistados também ajudam a explicar por que o sindicalismo permanece presente no cotidiano dos trabalhadores. Entre as principais preocupações estão a conquista de melhores salários, apontada por 63,8%, a geração de bons empregos (36,6%), saúde e segurança no trabalho (26,6%), redução da jornada (21%) e combate à discriminação (18%).

O levantamento também identifica maior apoio aos sindicatos entre trabalhadores mais jovens e nas regiões Nordeste e Sul do país.

O desafio é transformar reconhecimento em participação

Quando colocados lado a lado, os dados de Santa Catarina e da pesquisa nacional revelam uma realidade mais complexa do que a ideia de um suposto “fim do sindicalismo”.

Os trabalhadores continuam identificando problemas concretos no mundo do trabalho e reconhecendo que a organização coletiva pode ser um caminho para enfrentá-los. O que mudou foi o ambiente em que essa organização acontece: relações de emprego mais instáveis, alta rotatividade, precarização e, em alguns casos, resistência empresarial à atuação sindical.

Por isso, o desafio das entidades não é apenas convencer o trabalhador de que o sindicato é importante. É também criar condições para que ele possa participar, aproximar-se da entidade e exercer livremente seu direito de organização sem medo de consequências no emprego.

Os resultados das pesquisas reforçam uma conclusão importante: o sindicalismo pode enfrentar dificuldades de participação, mas não perdeu sua relevância aos olhos dos trabalhadores.

Em um mercado de trabalho marcado por transformações, insegurança e novas formas de contratação, a necessidade de informação, representação, negociação e defesa coletiva permanece. E é justamente nesse espaço que os sindicatos continuam encontrando sua razão de existir.
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