Foz do Iguaçu vive um cenário contraditório no mercado de trabalho: enquanto empresas enfrentam dificuldades para contratar, centenas de vagas permanecem abertas. Hotéis, supermercados e construtoras relatam falta de mão de obra, especialmente para funções com jornadas mais pesadas, trabalho noturno, fins de semana e salários considerados pouco atrativos. Atualmente, a Agência do Trabalhador da cidade reúne mais de 800 vagas em diferentes áreas, mas muitas empresas encontram dificuldade para preencher seus quadros.
Especialistas e representantes do setor apontam que a realidade pós-pandemia mudou a relação das pessoas com o trabalho. Muitos trabalhadores passaram a priorizar qualidade de vida, flexibilidade e renda imediata, optando por atividades informais, serviços temporários ou “bicos”, comuns em uma cidade de forte movimentação turística e fronteiriça como Foz. Além disso, parte da mão de obra prefere atuar em frigoríficos da região, que oferecem salários mais altos e benefícios, mesmo em atividades consideradas mais pesadas.
Outro fator citado é o descompasso entre os salários pagos e o alto custo de vida da cidade. Representantes sindicais e pesquisadores afirmam que remunerações próximas de R$ 2 mil, especialmente em setores como hotelaria, já não compensam jornadas de 44 horas semanais, trabalho em feriados e finais de semana e poucas folgas. Muitos trabalhadores acabam migrando para aplicativos, trabalhos autônomos ou atividades informais, onde conseguem renda semelhante com maior flexibilidade.
Empresas têm buscado alternativas para enfrentar a escassez de mão de obra, investindo em treinamentos, benefícios extras e planos de carreira. Redes de supermercados e hotéis também ampliaram a contratação de estrangeiros e trabalhadores acima dos 50 anos. Ainda assim, especialistas avaliam que o problema vai além da falta de trabalhadores: envolve mudanças no perfil profissional, na valorização do trabalho e na necessidade de salários e condições mais compatíveis com a realidade econômica atual.
Fonte: H2Foz por Denise Paro
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