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Sindhotéis-BA garante benefícios e luta pelo fim da escala 6×1

O reajuste salarial costuma ser o resultado mais visível de uma negociação coletiva, porque aparece diretamente no contracheque. No entanto, a atuação do Sindhotéis em Mata de São João também foi fundamental para preservar um conjunto de direitos que protege a jornada, a segurança e a vida profissional dos trabalhadores. Foram mais de 4 meses de intensa negociação para se chegar a bons termos.

Algumas dessas garantias são percebidas mensalmente, enquanto outras se tornam essenciais diante de situações específicas, como acidentes de trabalho, demissões ou dificuldades de transporte. Todas, porém, integram o patrimônio de direitos conquistado pela categoria e precisam ser conhecidas, valorizadas e respeitadas.

Entre os avanços assegurados pela Convenção Coletiva está o pagamento das horas extraordinárias com acréscimo de 100% sobre o valor da hora normal, observadas as regras de compensação previstas no instrumento coletivo. O trabalho realizado entre as 22 horas e as 5 horas também conta com adicional noturno de 40%, percentual superior ao mínimo estabelecido pela legislação.

A Convenção garante ainda uma folga especial no dia do aniversário do trabalhador, sem prejuízo do salário, desde que cumpridas as condições previstas na cláusula. Caso seja necessário trabalhar nessa data, as horas deverão ser remuneradas como extraordinárias, com adicional de 100%.

Outra importante proteção é o acompanhamento sindical das rescisões. Os contratos de trabalho com duração igual ou superior a 12 meses devem ter a rescisão homologada no Sindhotéis. A medida permite uma conferência mais cuidadosa das verbas rescisórias e oferece maior segurança ao trabalhador no encerramento do vínculo de emprego.

A proteção também alcança quem retorna ao serviço após acidente de trabalho ou doença profissional. Nessas situações, a Convenção assegura estabilidade de 12 meses, conforme as condições estabelecidas no texto coletivo.

Os trabalhadores mais experientes contam com outra garantia importante. Quem tiver mais de 48 anos de idade e mais de cinco anos de serviço prestado ao mesmo empregador, quando dispensado nas condições previstas na cláusula, terá direito a uma indenização adicional equivalente a um salário.

A segurança no deslocamento também foi contemplada. Quando não houver transporte público suficiente ou disponível ao término do expediente, a empresa deverá providenciar transporte até a residência do trabalhador ou até um local de fácil acesso. A medida é especialmente relevante para quem trabalha à noite ou encerra a jornada durante a madrugada, realidade comum nos setores de hotelaria, bares e restaurantes.

Para as mulheres, a Convenção assegura uma folga aos domingos a cada dois domingos trabalhados. Esse descanso dominical não substitui a folga semanal normal, que permanece garantida. Trata-se de uma proteção importante para trabalhadoras que enfrentam jornadas intensas e, muitas vezes, acumulam responsabilidades profissionais, familiares e domésticas.

Fim da escala 6×1

Além de preservar os direitos previstos na Convenção Coletiva, o Sindhotéis participa ativamente do debate nacional sobre o fim da escala 6×1. A proposta de redução da jornada, sem diminuição dos salários e com a garantia de duas folgas semanais, vem ganhando força nas discussões sobre o futuro das relações de trabalho no Brasil.

O presidente do Sindhotéis, José Félix Ramos, participou, no dia 14 de agosto, em Brasília, de uma reunião promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (CONTRATUH). O encontro reuniu dirigentes sindicais de diferentes regiões do país para discutir estratégias de mobilização pela redução da jornada e pela melhoria da qualidade de vida da classe trabalhadora.

Na hotelaria, nos bares e nos restaurantes, milhares de profissionais enfrentam jornadas prolongadas, trabalho noturno, escalas aos domingos e feriados e pouco tempo para o convívio familiar. Para o Sindhotéis, a substituição da escala 6×1 por uma organização que assegure dois dias de descanso representa um avanço necessário para a saúde física e mental dos trabalhadores.

A entidade ressalta, entretanto, que a redução da jornada deve caminhar ao lado da valorização salarial. Em um cenário marcado pelo aumento do custo de vida, conquistar mais tempo livre não elimina a necessidade de melhorar a renda, fortalecer os benefícios e recuperar o poder de compra da categoria.

“Reduzir a jornada é uma pauta importante, mas ela não pode substituir a luta por melhores salários. O trabalhador precisa de mais tempo para viver, mas também precisa de renda suficiente para sustentar sua família com dignidade. Menos horas de trabalho, melhores salários e mais qualidade de vida devem caminhar juntos”, defende José Félix Ramos.

Ao combinar a defesa dos direitos garantidos pela Convenção Coletiva com a mobilização pelo fim da escala 6×1, o Sindhotéis reafirma que trabalho digno não se resume ao salário. Envolve descanso adequado, segurança, proteção nos momentos de dificuldade, valorização profissional e tempo para viver.

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