O debate sobre a extinção da jornada de trabalho 6×1 — seis dias consecutivos de serviço para apenas um de descanso — ganhou força no Congresso Nacional e mobiliza trabalhadores de diversos setores, especialmente Turismo e Hospitalidade, onde a irregularidade de horários e os plantões em fins de semana tornam a rotina ainda mais desgastante.
Durante uma das sessões mais intensas, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) lançou um desafio que repercutiu em todo o país: “Quero ver os senhores viverem com R$ 1.518. Quero ver se conseguem pagar aluguel, comida, transporte e sustentar suas famílias com esse valor.” A declaração, feita em tom crítico, expôs a precariedade das condições de trabalho e classificou como “desumano” tentar manter a dignidade humana com o salário mínimo vigente.
A proposta em discussão prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, sem diminuição salarial, aproximando o Brasil de experiências internacionais que já testam semanas de quatro dias. O texto tramita em duas frentes: como Proposta de Emenda Constitucional (PEC), apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e como projeto de lei em regime de urgência, que o governo federal estuda enviar ao Congresso. A PEC já conta com mais de uma centena de assinaturas de parlamentares, número próximo ao mínimo necessário para avançar.
Para os defensores da mudança, a medida representa modernização das relações de trabalho, aumento da produtividade e melhoria da saúde física e mental dos trabalhadores. No setor de Turismo e Hospitalidade, a expectativa é de que a nova jornada traga mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal, reduzindo o desgaste provocado por escalas irregulares e revezamentos constantes.
O discurso de Contarato, ao desafiar seus colegas a viver com o salário mínimo, tornou-se símbolo da luta por condições mais dignas e reforçou a pressão social sobre o Congresso. A decisão sobre a escala 6×1 não é apenas técnica ou econômica: dela dependem milhões de brasileiros que sustentam setores vitais da economia e que reivindicam o direito ao descanso e à dignidade.
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