Publicado originalmente no Portal Fronteira Livre, por Amilton Farias, este artigo escancara uma prática cada vez mais comum: a substituição da palavra “trabalhador” por termos como “colaborador”, “parceiro” ou “empreendedor de si mesmo”. À primeira vista, parece apenas uma mudança de linguagem. Na prática, é uma estratégia para esconder a desigualdade e suavizar a exploração.
O discurso corporativo tenta criar a sensação de pertencimento, como se todos estivessem no mesmo nível dentro da empresa. Mas a realidade é outra:
- Quem produz a riqueza não participa das decisões.
- Quem veste a camisa não divide o lucro.
- Quem é chamado de “parceiro” continua sem poder e sem acesso ao resultado do próprio esforço.
Essa manipulação da linguagem despolitiza o conflito entre capital e trabalho. Ao apagar termos como “patrão” e “empregado”, fica mais difícil perceber que há interesses opostos: de um lado, quem luta por melhores salários e condições de vida; do outro, quem busca ampliar o lucro.
O artigo denuncia ainda que essa lógica anda junto com a precarização: pejotização, aplicativos, terceirização e retirada de direitos. Tudo embalado em discursos de “autonomia” e “liberdade”, mas que na prática significam mais riscos para o trabalhador e mais concentração de ganhos para poucos.
Outro efeito direto é o enfraquecimento da organização coletiva. Ao tratar cada trabalhador como indivíduo isolado, o mercado mina a força dos sindicatos e da negociação coletiva, transformando problemas coletivos em responsabilidades individuais.
Por isso, como alerta Amilton Farias, recusar essa linguagem é uma posição política. Chamar o trabalhador pelo nome certo é reconhecer sua condição real e não cair na armadilha de um discurso que mascara a exploração.
“Se todos colaboram, por que poucos acumulam?”
Essa pergunta, deixada pelo autor, resume a denúncia: enquanto o mercado fala em pertencimento, a realidade mostra que quem decide e quem lucra continua sendo uma minoria no topo.
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