Na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados tinha em pauta a votação da PEC que propõe o fim da escala 6×1, modelo que obriga o trabalhador a dedicar seis dias consecutivos ao emprego, com apenas um de descanso semanal. O relator já havia dado parecer favorável, classificando o texto como constitucional e pronto para avançar ao plenário. A maioria estava formada para aprovação.
No entanto, a bancada bolsonarista transformou a sessão em um verdadeiro tumulto. Com gritos e obstruções, conseguiu em cima da hora um pedido de vistas, adiando a discussão e impedindo que a proposta avançasse. A cena expôs, mais uma vez, a disposição de parte do Congresso em atuar contra os interesses da classe trabalhadora.
São parlamentares eleitos com o voto popular que se empenham em barrar o direito de milhões de brasileiros a um dia extra de descanso. A postura revela não apenas insensibilidade, mas uma concepção de poder que trata o destino dos cidadãos como propriedade de grupos políticos e empresariais. O bolsonarismo parece ter encontrado uma fórmula peculiar: transformar o suor e a exaustão do trabalhador em capital político, enquanto alimenta narrativas fantasiosas de “defesa da pátria e da família” para justificar a retirada de direitos.
É difícil compreender como um grupo que atua abertamente contra a população segue acumulando votos e espaço político. A retórica do medo — ora o “comunismo”, ora a “mamadeira de piroca” — continua servindo de cortina para esconder a realidade: a negação de direitos básicos e a perpetuação da exploração.
O desafio eleitoral
Diante desse cenário, o papel dos trabalhadores e sindicalizados nas próximas eleições torna-se crucial. É preciso renovar o Legislativo com representantes comprometidos com a sociedade brasileira, e não com os interesses imediatistas de empresários que lucram às custas da precarização da vida da classe média e pobre.
O fim da escala 6×1 é mais do que uma pauta trabalhista: é um passo civilizatório. Cabe ao eleitorado escolher candidatos que defendam dignidade, justiça social e progresso, e não aqueles que se fortalecem na luta contra os direitos do povo.
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