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Negociações salariais têm ganhos acima da inflação em 87,1% dos casos em 2026

Levantamento do DIEESE mostra avanço nos acordos coletivos, mas identifica desaceleração dos ganhos reais nas negociações mais recentes

As negociações coletivas continuam garantindo aumento real de salário para a maioria dos trabalhadores brasileiros. Entre janeiro e julho de 2026, 87,1% dos 10.085 reajustes analisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) ficaram acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Outros 9,5% apenas repuseram a inflação, enquanto 3,4% resultaram em reajustes inferiores ao aumento do custo de vida.

No acumulado do ano, o ganho real médio foi de 1,48%, demonstrando a importância das negociações conduzidas pelos sindicatos para preservar e ampliar o poder de compra dos salários. Apesar do resultado positivo, os dados mais recentes indicam uma desaceleração que precisa ser acompanhada com atenção.

Entre os 171 acordos e convenções coletivas com data-base em julho registrados no sistema Mediador até 10 de agosto, 82,5% conquistaram reajustes superiores à inflação. O índice permanece elevado, mas é o menor observado em 2026 e também o mais baixo desde novembro de 2025. Em junho, 87,6% das negociações haviam alcançado ganhos reais.

O DIEESE ressalta, entretanto, que ainda é cedo para afirmar que essa redução representa uma tendência de piora. Como o número de instrumentos coletivos de julho incluídos no levantamento ainda é pequeno, o resultado poderá mudar à medida que novos acordos e convenções forem registrados e analisados.

Quando observado um período mais amplo, o cenário permanece favorável. Nos 12 meses encerrados em julho de 2026, 83,9% dos reajustes ficaram acima da inflação. No período equivalente encerrado em julho de 2025, essa proporção era de 76,1%. O crescimento mostra uma melhora progressiva dos resultados das negociações coletivas, com redução dos reajustes iguais ou inferiores ao INPC.

Mesmo assim, o ganho real médio vem diminuindo há quatro meses consecutivos. Em julho, os salários foram reajustados, em média, 1,1% acima da inflação. Embora inferior aos meses anteriores, o percentual ainda é mais que o dobro dos 0,54% registrados em julho de 2025.

Para as categorias com data-base em agosto, o reajuste necessário para a reposição integral da inflação será de 4,10%. Segundo o DIEESE, o percentual sinaliza uma possível reversão da trajetória de crescimento inflacionário observada entre abril e junho.

Serviços apresentam maior ganho real médio

Os resultados positivos estão distribuídos entre os principais setores econômicos. Comércio, indústria e serviços registraram percentuais semelhantes de reajustes acima da inflação, variando entre 87% e 88%. O setor de serviços apresentou o maior ganho real médio, de 1,59%, seguido pelo comércio, com 1,40%, indústria, com 1,37%, e setor rural, com 1,29%.

As negociações do setor rural tiveram o desempenho mais desfavorável: 78,6% dos reajustes superaram a inflação, enquanto 6% ficaram abaixo do INPC — o maior percentual entre os setores analisados.

Na comparação regional, o Sul apresentou a maior proporção de resultados acima da inflação, alcançando 88,9% das negociações. A região também teve o menor índice de reajustes inferiores ao INPC, de apenas 1,6%. O Norte registrou o menor percentual de ganhos reais, com 81,6%, e a maior presença de reajustes abaixo da inflação, com 5,6%.

Em relação ao ganho real médio, o Centro-Oeste liderou, com 1,73% acima da inflação. Na sequência aparecem o Sudeste, com 1,54%; o Nordeste, com 1,47%; o Norte, com 1,37%; e o Sul, com 1,35%.

Pisos salariais ainda mostram diferenças regionais

O valor médio dos pisos salariais negociados entre janeiro e julho foi de R$ 1.938, enquanto o valor mediano ficou em R$ 1.800. Entre os setores, serviços apresentaram o maior piso médio, de R$ 1.975. No setor rural foi registrado o maior piso mediano, de R$ 1.872.

As diferenças regionais continuam expressivas. O Sul teve os maiores pisos médio e mediano, de R$ 2.033 e R$ 1.975, respectivamente. No Nordeste, esses valores foram de R$ 1.833 e R$ 1.672, os menores entre as regiões pesquisadas.

O estudo também mostra que 2,3% dos reajustes de julho foram concedidos de forma parcelada, maior percentual do ano. Outros 5,8% foram escalonados, com índices diferentes conforme a faixa salarial do trabalhador ou o porte da empresa.

Os números confirmam que as negociações coletivas permanecem decisivas para assegurar a reposição das perdas inflacionárias e conquistar aumento real de salário. Ao mesmo tempo, a redução observada nos resultados mais recentes reforça a necessidade de mobilização das categorias e de fortalecimento dos sindicatos, especialmente diante das diferenças existentes entre setores e regiões do país.

O levantamento considera acordos e convenções de trabalhadores celetistas do setor privado e de empresas estatais registrados no Mediador, sistema do Ministério do Trabalho e Emprego. Trabalhadores estatutários e informais não fazem parte da análise.

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