Filiado a:

Moacyr lembra “Titãs” em pronunciamento no Senado

Em um ambiente de forte debate político e econômico, o Senado Federal foi palco na quinta-feira (2/7) de um encontro estratégico entre lideranças sindicais e parlamentares. O ponto alto das discussões girou em torno da histórica reivindicação pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Durante a sua fala, o diretor da Contratuh (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade) e coordenador da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Moacyr Roberto Tech Auersvald, adotou um tom incisivo contra o histórico de previsões catastróficas feitas pelo setor patronal diante do avanço de direitos sociais no Brasil.

A mesa de discussões foi presidida de forma compartilhada pelos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Laércio Oliveira (PP-SE). Para Moacyr, a condução do encontro por duas figuras de origens distintas, mas com forte ligação com o mundo do trabalho e das negociações, foi o grande fator para o sucesso institucional do evento. O dirigente fez questão de saudar o senador Laércio, destacando o relacionamento produtivo e respeitoso construído ao longo de décadas nas mesas de negociação coletiva do setor de asseio e conservação, bem antes do parlamentar ingressar na política partidária. Na sequência, referiu-se ao senador Paulo Paim como uma verdadeira “trincheira histórica” na defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras do país.

O fantasma da quebra econômica

Ecoando e endossando o pronunciamento anterior da colega Maria Eduarda, Moacyr Roberto ironizou os recorrentes argumentos de que a ampliação de direitos trabalhistas resultaria na falência da economia nacional. Ele relembrou as reações contrárias à criação do 13º salário e à política de valorização do salário mínimo.

“Diziam que o 13º salário ia quebrar o país. Hoje, o comércio de modo geral conta nos dedos esperando chegar dezembro, sabendo que é este direito que movimenta e aquece o mercado no fim de ano”, pontuou o sindicalista. Moacir também relembrou o apelido de ‘homem dos 100 dólares’ que Paim recebeu nos anos 1990 ao lutar pela valorização do salário mínimo, que na época equivalia a cerca de 64 dólares no governo de Fernando Henrique Cardoso. “Diziam que era impossível. Depois, com a política de correção pela inflação e pelo PIB, o salário chegou a patamares muito maiores e a economia não quebrou.”

O dirigente ampliou a análise citando o impacto socioeconômico da previdência nos pequenos municípios brasileiros. De acordo com ele, a maioria das mais de 5 mil cidades do país depende diretamente dos proventos dos aposentados e pensionistas para manter o comércio local pulsante, refutando a tese de que os gastos previdenciários e trabalhistas funcionam apenas como um peso morto fiscal.

“Faz 38 anos, desde a Constituição de 1988, que o movimento sindical discute a redução da jornada para 40 horas nas marchas, nos acordos e nas convenções coletivas. Não há pressa, há uma espera histórica.”

Contestações ao Sistema S e qualificação profissional

Ao rebater as queixas do empresariado sobre o suposto “atropelo” nas discussões da redução de jornada e sobre o apagão de mão de obra qualificada no país, Moacyr direcionou provocações construtivas ao senador Laércio Oliveira, que possui assento na diretoria da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O sindicalista cobrou uma revisão profunda nos rumos do Sistema S (composto por entidades como Senai, Senac e Sesi). “Se está faltando qualificação profissional no nosso comércio e na nossa indústria para o país ir em frente, nós precisamos rever o Sistema S. Essas instituições recebem recursos volumosos e têm o dever de entregar essa eficiência. O senador Laércio pode nos ajudar a liderar essa cobrança”, cobrou.

Cultura, lazer e dignidade humana

Para concluir sua intervenção, o coordenador da Nova Central recorreu à sensibilidade artística ao resgatar uma analogia musical também mencionada por Maria Eduarda. Citando a célebre canção “Comida”, da banda Titãs, o líder sindical lembrou que as necessidades humanas vão muito além da subsistência física.

“O ser humano não precisa se satisfazer só com as necessidades básicas, como comer e beber. Nós precisamos de cultura, diversão, lazer, liberdade de ir e vir, amor, afeto e felicidade. Precisamos de condições para viver plenamente, e não apenas sobreviver”, declarou emocionado.

Segundo Moacyr, o cerne da batalha pela redução da jornada de trabalho resume-se a uma disputa pelo tempo e pela vida. “Quando nos questionam por que queremos tanto essa redução, a resposta é simples: queremos tempo. Tempo para que os trabalhadores, seus filhos e seus parentes possam desfrutar de uma convivência que tantas e tantas vezes a engrenagem do trabalho diário nos nega”, encerrou, sob aplausos da bancada sindical.

********

O que achou da matéria? Comente em nossas redes sociais.