O turismo desponta como uma das principais engrenagens de crescimento econômico em países emergentes. Índia e Brasil, com seus vastos atrativos culturais e naturais, vivem um momento de expansão do setor. Mas há um obstáculo comum que ameaça frear esse avanço: a escassez de mão de obra qualificada e a dificuldade de retenção de trabalhadores.
Gargalos na Índia
A Índia projeta que o turismo contribua com até US$ 3 trilhões para sua economia até 2047. O setor já emprega milhões de pessoas, mas menos de 1% da força de trabalho possui treinamento formal. Hotéis e restaurantes enfrentam taxas de rotatividade que chegam a 40%, reflexo de salários pouco atrativos e da percepção negativa das carreiras ligadas à hospitalidade. Para enfrentar o problema, o governo lançou programas de capacitação como o Hunar Se Rozgar Tak, enquanto grandes redes hoteleiras investem em estratégias de employer branding para tornar o setor mais desejado.
Desafios trabalhistas
No Brasil, o turismo responde por 7,9% dos empregos e deve chegar a 9,3% até 2035. Em 2025, a hotelaria registrou rotatividade superior a 50%, um índice que preocupa empresários e sindicatos. Entre os principais entraves estão a carga horária rígida (escala 6×1), salários pouco competitivos e a escassez de profissionais qualificados. Iniciativas como cursos profissionalizantes e debates sobre flexibilização da jornada buscam aliviar o problema. Algumas redes também têm recorrido ao recrutamento de aposentados para suprir a falta de mão de obra.
Semelhanças e diferenças
Tanto Índia quanto Brasil enfrentam alta rotatividade e dificuldades em atrair jovens talentos para o setor. A falta de qualificação formal compromete diretamente a experiência do turista. Mas há diferenças: na Índia, o desafio está ligado também à infraestrutura precária em regiões rurais; no Brasil, pesa a legislação trabalhista e a competição com outros setores em cenário de pleno emprego.
O desafio global
Segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), o déficit mundial de trabalhadores no setor pode chegar a 43 milhões até 2035. Isso mostra que o problema não é exclusivo de Índia ou Brasil, mas parte de uma tendência global que exige soluções estruturais.
Vozes do setor
Executivos de redes hoteleiras, representantes de associações de turismo e trabalhadores da linha de frente concordam: sem valorização da mão de obra, o crescimento do turismo corre risco de estagnar. Economistas e sociólogos reforçam que investir em capacitação e melhorar condições de trabalho é essencial para transformar o potencial em resultados concretos.
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