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Marcha dos trabalhadores pede por direitos, na Conclat 2026

Nem o forte calor, a baixa umidade relativa do ar e o mormaço característico de Brasília arrefeceram os trabalhadores de todo o Brasil que se reuniram ontem para o Conclat 2026. Desde as primeiras horas da quarta-feira, 15 de abril, delegações de sindicalistas desembarcavam de ônibus e se somavam à massa de trabalhadores mobilizados para discutir a pauta unitária das diversas categorias.

Discursos inflamados marcaram o início da Marcha a Brasília, que teve como destino a Praça dos Três Poderes. O objetivo era entregar ao Poder Legislativo — representado pelos presidentes Hugo Mota, da Câmara, e Davi Alcolumbre, do Senado — e posteriormente ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, as principais reivindicações do movimento sindical brasileiro por dias melhores.

O presidente da Contratuh, Wilson Pereira, acompanhado da presidente da Nova Central Sindical, Sônia Zerino, destacou as demandas dos trabalhadores do setor de turismo e hospitalidade, lembrando da necessidade urgente de pôr fim à escala 6×1, que impõe jornadas extenuantes sem a devida compensação. Zerino, por sua vez, levou ao presidente Lula uma das agendas mais urgentes do movimento sindical: o enfrentamento ao feminicídio. Em sua intervenção, defendeu que o tema seja incorporado às negociações coletivas, às campanhas sindicais e às políticas no ambiente de trabalho, além de reforçar a importância da ratificação da Convenção 190 da OIT.

Pauta Unitária da Classe Trabalhadora

Além das demandas específicas, os sindicalistas apresentaram os principais pontos da pauta unitária:

  • Redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial
  • Fim da escala 6×1
  • Combate à pejotização
  • Regulamentação do trabalho por aplicativos
  • Ações mais firmes contra o feminicídio
  • Defesa da negociação coletiva
  • Valorização dos salários

Projeto de Lei em tramitação

O presidente Lula reforçou a pauta sindical ao enviar, no dia 13, ao Congresso Nacional o Projeto de Lei (Despacho 299) que prevê a redução da jornada para 40 horas e o fim da escala 6×1. A matéria será apreciada em regime de urgência pela Câmara e pelo Senado. Para os sindicalistas, o projeto representa justiça para a classe trabalhadora. A grande batalha agora é garantir sua aprovação pelo Congresso Nacional.

Mais que uma manifestação

A Conclat 2026, realizada em 15 de abril, não foi apenas uma demonstração de força trabalhista, mas também uma preparação estratégica para novos movimentos, como o do 1º de Maio, e para o fortalecimento das lutas sindicais. A manifestação em Brasília deixou um recado claro: sem valorização do trabalho, não haverá desenvolvimento social nem justiça econômica no Brasil, afirmam os representantes do movimento sindical.

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