O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) e vice-presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), José Reginaldo Inácio, fez duras críticas à política de juros mantida pelo Banco Central e classificou como “maquiagem” a possibilidade de uma redução de apenas 0,25 ponto percentual na taxa básica da economia.
Em entrevista ao jornal Hora do Povo, o dirigente sindical afirmou que o Brasil continua preso a um modelo econômico que privilegia o sistema financeiro enquanto penaliza trabalhadores, indústria e setores produtivos. Para ele, a manutenção dos juros em patamares próximos de 15% impede investimentos, dificulta a modernização industrial e compromete o desenvolvimento nacional.
Segundo José Reginaldo, juros elevados significam crédito caro, retração da atividade econômica e paralisação de investimentos estratégicos. Ele alerta que a consequência direta é o enfraquecimento da indústria brasileira, o crescimento da informalidade e o avanço da pejotização nas relações de trabalho.
“O país precisa decidir se quer fortalecer a produção, a indústria e os serviços essenciais ou continuar alimentando o rentismo e a especulação financeira”, afirmou.
O dirigente também rebateu o argumento de que juros altos seriam necessários para controlar a inflação. Na avaliação dele, o atual cenário inflacionário é resultado principalmente de fatores internacionais, como guerras, tensões geopolíticas e oscilações nos preços de energia, alimentos, petróleo e commodities.
José Reginaldo destacou que conflitos internacionais, como os ataques envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, além da situação na Palestina, Venezuela e Cuba, geram instabilidade global e impactam diretamente a economia. Porém, segundo ele, não é justo que trabalhadores e setores produtivos brasileiros arquem com o custo dessas crises.
“O trabalhador brasileiro não declarou guerra alguma. A indústria brasileira não provocou essa crise e está sofrendo com ela”, ressaltou.
Para o presidente da CNTI, a resposta do governo deveria ser justamente o contrário: promover uma redução mais significativa da taxa de juros para estimular investimentos públicos, proteger empregos e impulsionar a reindustrialização do país.
Ele argumenta ainda que cada ponto percentual mantido na taxa de juros representa bilhões de reais transferidos ao sistema financeiro — recursos que poderiam ser aplicados em saúde, educação, infraestrutura e políticas industriais.
Outro ponto levantado pelo sindicalista é o impacto da economia desacelerada sobre o movimento sindical e os direitos trabalhistas. Segundo ele, o aumento da informalidade e a fragmentação das categorias dificultam a mobilização dos trabalhadores e ampliam a pressão patronal sobre salários e condições de trabalho.
Ao final da entrevista, José Reginaldo defendeu que o Brasil abandone a lógica econômica baseada no rentismo e priorize políticas voltadas ao crescimento, ao emprego e à proteção social.
“O povo brasileiro não pode pagar, com desemprego, precarização e arrocho, o preço das guerras e dos lucros do sistema financeiro”, concluiu.
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