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Crescem as greves: mobilização sindical ganha força em 2025

O número de greves no Brasil voltou a crescer em 2025. Dados do Sistema de Acompanhamento de Greves do Dieese revelam que, no primeiro semestre, foram registradas 536 paralisações, um aumento de 16% em relação às 462 ocorridas no mesmo período de 2024.

Segundo o levantamento, 82% das greves tiveram como pauta central a defesa das condições de trabalho, saúde e segurança, além do descumprimento de direitos previstos em acordos coletivos ou na legislação trabalhista. O setor público segue como protagonista, concentrando quase metade das mobilizações.

Histórico

O movimento sindical brasileiro tem mostrado oscilações significativas na última década, refletindo crises econômicas, mudanças políticas e conjunturas sociais:

  • 2014: auge da mobilização, com mais de 1.200 greves no primeiro semestre.
  • 2020–2021: queda acentuada durante a pandemia, com paralisações reduzidas pela crise sanitária.
  • 2022: retomada gradual, com 679 greves no primeiro semestre.
  • 2023: alta expressiva, com 1.136 greves no ano, impulsionadas pelo novo cenário político.
  • 2024: retração, com 880 greves, queda de 22,5% em relação ao ano anterior.
  • 2025: retomada, com crescimento de 16% já no primeiro semestre.

Perdas acumuladas

Apesar da retomada das mobilizações, os sindicatos ainda enfrentam os efeitos da Reforma Trabalhista de 2017, que flexibilizou contratos, ampliou a terceirização e reduziu o poder de negociação coletiva. Para dirigentes sindicais, a reforma representou uma “pedra no sapato” da organização dos trabalhadores, enfraquecendo instrumentos de luta e dificultando avanços em convenções coletivas.

Outro ponto de crítica é a política de reajuste do salário mínimo durante o governo Bolsonaro, que deixou de aplicar a regra de valorização vinculada ao crescimento do PIB. Essa decisão resultou em perdas acumuladas para milhões de trabalhadores, especialmente os de baixa renda, e ampliou a pressão por recomposição salarial nos anos seguintes.

Vitalidade

O Dieese avalia que o crescimento das greves demonstra a vitalidade do movimento sindical e a disposição dos trabalhadores em defender direitos e condições dignas de trabalho. A tendência, segundo analistas, é que 2025 se consolide como um ano de retomada das mobilizações, em meio às consequências da Reforma Trabalhista e da estagnação do salário mínimo nos últimos anos.

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