A extinção da escala 6×1, que obriga o trabalhador a atuar seis dias consecutivos para descansar apenas um, tem provocado intensos debates no setor de turismo e hospitalidade. Se, por um lado, empresários alertam para o aumento dos custos operacionais, do ponto de vista do trabalhador a mudança representa uma conquista social, capaz de melhorar a qualidade de vida e valorizar a mão de obra.
Para quem atua em hotéis, pousadas e restaurantes, a rotina extenuante da escala tradicional significa pouco tempo para descanso, convivência familiar e até para cuidar da saúde. A possibilidade de dois dias de folga semanais abre espaço para maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Trabalhadores mais descansados tendem a oferecer atendimento mais atencioso e de qualidade, o que impacta diretamente na experiência do turista.
Outro efeito esperado é a geração de empregos. A necessidade de ampliar o quadro de funcionários para cobrir os novos turnos pode significar mais oportunidades formais em um setor que ainda convive com altos índices de informalidade. Em vez de enxergar apenas o risco de aumento de preços, a mudança pode ser vista como chance de fortalecer vínculos e reduzir a rotatividade.
Nesse contexto, surge uma pauta recorrente entre empresários: a desoneração fiscal. Muitos donos de restaurantes, lanchonetes e hotéis defendem que aliviar a carga tributária seria uma forma de compensar os custos adicionais da nova jornada. Para o empregador, isso significaria maior margem de manobra para contratar sem repassar integralmente os gastos ao consumidor. Para o trabalhador, a medida poderia abrir espaço para formalização de vínculos e manutenção de direitos, evitando que pequenos negócios migrem para a informalidade.
A valorização do capital humano é outro ponto central. O turismo depende essencialmente de recepcionistas, camareiras, garçons e guias, que sustentam a engrenagem da hospitalidade. Reconhecer que o bem-estar desses profissionais não é um custo extra, mas parte do valor entregue ao cliente, é fundamental para que o setor avance de forma sustentável. Nesse sentido, políticas de desoneração fiscal poderiam funcionar como ponte entre os interesses de empregadores e empregados, equilibrando competitividade e dignidade.
É verdade que o consumidor pode enfrentar reajustes nos pacotes e serviços. Mas, para o turista, a percepção de valor não está apenas no preço, e sim na qualidade da experiência. Ser atendido por profissionais motivados e descansados pode transformar uma viagem comum em uma experiência memorável. O desafio, portanto, não é apenas financeiro, mas também político: encontrar mecanismos que permitam ao setor absorver a mudança sem sacrificar trabalhadores nem inviabilizar negócios.
Em resumo, enquanto gestores enxergam a nova jornada como ameaça às planilhas, os trabalhadores a veem como conquista social. A desoneração fiscal aparece como possível caminho de conciliação, capaz de garantir que o turismo brasileiro se mantenha competitivo sem abrir mão do que realmente o diferencia: a hospitalidade feita por pessoas.
O futuro do turismo brasileiro depende tanto da valorização do trabalhador, quanto de políticas públicas inteligentes, como a desoneração, que podem tornar a transição mais justa. “Sem trabalhadores valorizados, não há turismo de qualidade; sem políticas inteligentes, não há negócios sustentáveis. O Brasil precisa decidir se quer um turismo de luxo para poucos ou uma hospitalidade inclusiva, que respeite quem serve e quem é servido. A desoneração fiscal pode ser a ponte entre a conquista social e a viabilidade econômica.”
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