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Mulheres movimentam o turismo e conquistam espaço como líderes

O turismo e a hospitalidade sempre tiveram o rosto e a força de trabalho feminina. Dos hotéis aos aeroportos, dos restaurantes às agências de viagens, das recepções aos grandes eventos, são as mulheres que sustentam boa parte da engrenagem que faz o setor funcionar diariamente. Hoje, elas representam cerca de 54% da força de trabalho mundial no turismo e hospitalidade, segundo levantamentos internacionais do setor.

Mas, apesar de serem maioria na operação, ainda enfrentam obstáculos para chegar ao topo da gestão.

A realidade mostra um contraste evidente: mulheres ocupam grande parte das funções operacionais — como camareiras, recepcionistas, cozinheiras, atendentes e auxiliares — porém a presença feminina diminui conforme os cargos se tornam mais estratégicos e executivos. Nos conselhos de administração e diretorias, elas ocupam apenas cerca de um terço das posições.

Mesmo assim, o cenário começa a mudar.

Nos últimos anos, empresas do turismo, hotelaria e alimentação perceberam que diversidade não é apenas questão social, mas também estratégica. A presença feminina em cargos de liderança tem impulsionado inovação, melhora do ambiente de trabalho, desenvolvimento de equipes e uma nova visão sobre experiência do cliente.

Liderança com empatia e gestão humanizada

Especialistas do setor apontam que muitas mulheres têm se destacado por um modelo de liderança mais colaborativo, baseado em diálogo, escuta, treinamento e valorização das equipes. Em um segmento onde o atendimento humano é essencial, essa característica tem feito diferença.

A gestão feminina aparece cada vez mais associada à capacidade de mediação, organização, sensibilidade na resolução de conflitos e foco na experiência do consumidor — fatores fundamentais para hotéis, bares, restaurantes, resorts, parques temáticos e companhias de turismo.

Além disso, cresce a participação feminina em áreas antes dominadas por homens, como tecnologia aplicada ao turismo, inteligência de dados, marketing digital, revenue management e gestão estratégica.

Da base à diretoria

O setor também começa a produzir histórias de ascensão profissional que servem de inspiração.

No Brasil, algumas executivas ganharam destaque após iniciarem suas trajetórias em funções operacionais ou administrativas e alcançarem posições de comando.

Entre os exemplos mais conhecidos está Chieko Aoki, fundadora da rede Blue Tree Hotels, considerada uma das maiores referências femininas da hotelaria brasileira. Sua atuação ajudou a abrir caminhos para outras mulheres em cargos executivos no setor.

Outro nome importante é Luiza Helena Trajano, embora ligada ao varejo, frequentemente citada em debates sobre turismo e hospitalidade pela defesa da liderança feminina, inclusão e valorização humana nas empresas.

Também cresce a presença de mulheres na direção de redes hoteleiras, entidades de turismo, secretarias públicas e empresas de eventos, mostrando uma transformação gradual no perfil de comando do setor.

Barreiras ainda existem

Apesar dos avanços, desafios continuam presentes.

Muitas profissionais ainda enfrentam dificuldades para conciliar jornadas extensas com responsabilidades familiares, além de desigualdade salarial, menor acesso a oportunidades estratégicas e resistência em ambientes historicamente masculinos.

Outro problema é o chamado “funil da liderança”: as mulheres entram em grande número nas empresas, mas encontram mais barreiras para promoções internas conforme os cargos se tornam mais altos.

Por isso, diversas empresas passaram a investir em programas específicos de incentivo à liderança feminina.

Mentoria e incentivo à promoção interna

Entre as iniciativas mais adotadas estão programas de mentoria, treinamento de lideranças, redes de apoio profissional e políticas de promoção interna voltadas à diversidade.

Grandes grupos internacionais criaram núcleos femininos para estimular crescimento profissional, troca de experiências e formação de futuras executivas. Um exemplo é o SHE@RateGain, criado para fortalecer a participação feminina dentro da empresa global de tecnologia para turismo.

No Brasil, redes hoteleiras e empresas de alimentação também passaram a desenvolver ações voltadas à equidade de gênero, capacitação e valorização da mulher em posições estratégicas.

Avanços simbólicos no cenário internacional

O avanço feminino também começa a ganhar destaque em organismos internacionais do turismo. A eleição de Shaikha Al Nowais para posição de liderança na ONU Turismo foi vista como um marco simbólico importante na quebra de barreiras de gênero em um setor historicamente comandado por homens.

O movimento mostra que a transformação ainda está em curso, mas já apresenta sinais claros de mudança.

Muito além do atendimento

Durante muito tempo, a imagem da mulher no turismo esteve ligada apenas ao atendimento e à hospitalidade operacional. Hoje, essa realidade é bem mais ampla.

As mulheres participam da criação de estratégias empresariais, comandam hotéis, lideram equipes internacionais, atuam na transformação digital do setor e ajudam a redefinir o conceito moderno de hospitalidade.

Mais do que presença numérica, a liderança feminina vem se consolidando como peça fundamental para o futuro do turismo — um setor que depende cada vez mais de inovação, sensibilidade humana e capacidade de adaptação.

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