O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou o dia reunido com a coordenação de campanha, em Brasília, e, no fim da tarde, concedeu entrevista à imprensa para tratar de temas econômicos e da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Lula demonstrou confiança na aprovação da proposta pelo Senado e reforçou sua defesa da redução da jornada de trabalho sem corte salarial.
“Quero dizer para o povo brasileiro que vamos conseguir aprovar uma lei que garanta ao trabalhador o direito de ficar dois dias em casa e trabalhar cinco dias. Esse é o nosso compromisso, sem redução de salário”, afirmou.
O Plenário do Senado realizou nesta quinta-feira a terceira sessão de discussão da PEC que extingue a escala 6×1. Antes da votação final, ainda são necessárias mais duas sessões de debate.
O tema ganhou ainda mais repercussão após reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, na qual Lula voltou a cobrar publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre seu posicionamento em relação à proposta. Segundo a publicação, o petista pressionou o adversário a orientar sua bancada pela aprovação da medida e pediu que o tema seja levado à votação.
A cobrança ocorre apesar de Flávio Bolsonaro já ter manifestado, em diversas ocasiões, posição contrária ao modelo defendido pelo governo. O senador tem argumentado em favor de alternativas baseadas em maior flexibilização das relações de trabalho e em negociações diretas entre empregadores e empregados, sustentando teses diferentes da PEC atualmente em discussão no Congresso.
Críticas a cortes de despesas
Durante a entrevista, Lula também criticou a proposta de seu adversário de reduzir gastos públicos e investimentos estatais.
O petista lembrou que, ao assumir seu terceiro mandato presidencial, encontrou programas sociais e de saúde com orçamento reduzido, citando cortes de 59% no Farmácia Popular e de 50% no Mais Médicos.
“Eles estão dizendo que vão fazer corte. No Brasil, toda vez que um governo diz que vai fazer corte, teto de gastos e ajuste fiscal, eles fazem essa proposta para tirar do pobre. Aumentar o salário mínimo para além da inflação para os aposentados não está na cogitação de nenhum governo conservador neste país”, declarou.
Defesa de investimentos em infraestrutura
Lula também voltou a defender investimentos públicos em infraestrutura como ferramenta para impulsionar o crescimento econômico e melhorar as contas públicas.
“A única chance de a gente fazer com que a dívida diminua é gastar em coisas necessárias para o país, fazer investimentos em ativos que signifiquem aumento de patrimônio. Uma ferrovia, uma hidrelétrica, uma rodovia. E, ao mesmo tempo, fazer a economia crescer com investimento e obra de infraestrutura. E isso nós sabemos fazer”, acrescentou.
Segundo o candidato, o desenvolvimento da infraestrutura nacional e o fortalecimento dos investimentos públicos são fundamentais para ampliar a atividade econômica, gerar empregos e aumentar a arrecadação do país.
O jornal O Estado de S. Paulo destacou nesta quinta-feira que Lula voltou a cobrar publicamente o posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre a PEC do fim da escala 6×1, enquanto o senador mantém críticas à proposta e segue defendendo modelos alternativos de flexibilização das jornadas de trabalho.
Fontes: O Estadão e Agência Brasil, com foto de Ricardo Stuckert





