O início de 2026 desenhava um cenário de otimismo após os recordes de 2024, mas o conflito no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz trouxeram o “efeito dominó” que o trabalhador mais teme. Quando o petróleo ultrapassa a barreira dos US$ 100, o primeiro reflexo é no QAV (Querosene de Aviação). Para o agente de viagens, isso significa que aquele pacote que estava quase fechado “esfria” porque a taxa de combustível disparou. Para o guia de turismo e o setor de hotelaria, o impacto vem na mudança do perfil do público: o estrangeiro que traz dólar e euro pensa duas vezes antes de atravessar o oceano em tempos de incerteza global.
Turismo Doméstico
Com o aumento dos custos operacionais das companhias aéreas, as passagens internacionais tornam-se um artigo de luxo ainda mais restrito. Isso gera um fenômeno de “turismo de proximidade”.
O que muda para o trabalhador: O profissional que estava focado em grandes receptivos internacionais ou viagens de luxo para o exterior precisa migrar sua energia para o turismo regional. O desafio aqui é a rentabilidade. O turista doméstico costuma gastar menos que o estrangeiro em serviços agregados, o que exige que o trabalhador brasileiro se desdobre em volume para manter a mesma renda do ano anterior.
Incerteza e crise
O trabalhador de agências e aeroportos é o que mais sofre o desgaste emocional. Com o fechamento de hubs importantes como Dubai e Doha, a malha aérea mundial vira um quebra-cabeça. O dia a dia passa a ser dominado por:
- Gestão de cancelamentos: Horas de trabalho que não geram nova comissão, apenas manutenção de danos.
- Repactuação de voos: Uma carga extra de estresse para encontrar rotas alternativas para clientes retidos ou com viagens agendadas.
Risco dos empregos
A estimativa de redução de até 27% no fluxo global de viajantes para 2026 é um sinal de alerta para a hotelaria. Se a ocupação cai, a necessidade de extras, garçons, camareiras e recepcionistas diminui proporcionalmente. O trabalhador que se preparava para um ano de bônus e crescimento agora se vê em um modo de “sobrevivência”, onde a prioridade das empresas passa a ser o corte de custos fixos para compensar a alta dos insumos e a queda na demanda internacional.
Perspectivas
No médio prazo, o turismo brasileiro tem um trunfo: ser um “porto seguro” geograficamente distante do conflito. Se o governo e as empresas souberem vender o Brasil como um destino de paz e estabilidade, parte do fluxo que iria para a Europa ou Ásia pode ser desviado para cá.
No entanto, para o trabalhador da ponta, o ano de 2026 exigirá uma capacidade de adaptação rara. Será o ano de focar no cliente local, ser criativo na redução de custos sem perder a qualidade e, acima de tudo, ter resiliência para navegar em um mercado que, embora resiliente, está temporariamente mais caro e mais receoso.
Você acredita que o setor regional da sua cidade já está sentindo essa retração na procura ou o público local ainda está mantendo o ritmo de viagens?
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