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Entregadores por aplicativos se rebelam contra jornadas e salários

Fartos de exploração, renda infame e jornadas desumanas, os trabalhadores por aplicativos de 59 cidades, das quais 18 Capitais, cruzaram os braços dois dias da semana passada. O “Breque Nacional dos Apps”, organizado pela Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativos, paralisou os serviços de entrega de comida. Houve piquetes em locais estratégicos, como shoppings e redes de fast food, o que aumentou a força do movimento.

“A adesão mostra a revolta e a indignação dos trabalhadores com a falta de compromisso das empresas. Categoria demonstrou que está amadurecendo. Só unidos vamos romper a precarização que assola o trabalho dos entregadores há quase uma década”, afirma Gilberto Almeida do Santos (Gil), presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Motocicletas do Estado de São Paulo – SindimotoSP.

Ricardo Patah, presidente da UGT também protestou: “É inaceitável que os aplicativos sigam explorando, sem nenhuma responsabilidade social. Os motociclistas enfrentam um dos trabalhos mais perigosos do País e não recebem o mínimo de proteção e direitos trabalhistas. O modelo atual dessas plataformas tem que mudar urgentemente pra garantir condições dignas e justas a quem faz a economia girar todos os dias”, afirma.

Pedido

São quatro as reivindicações do setor: Taxa mínima de R$ 10,00 por corrida, aumento do valor por quilômetro rodado de R$ 1,50 pra R$ 2,50, limitação das entregas por bicicletas a um raio máximo de três quilômetros e pagamento integral de cada pedido (mesmo quando vários deles são agrupados numa mesma rota).

Diálogo

Apesar das paralisações, aplicativos como iFood, Rappi e Uber Eats se recusam a dialogar com os trabalhadores, alegando falta de vínculo empregatício. Para Gil, isso mostra irresponsabilidade social. “A categoria está mergulhada na precarização por causa da postura das empresas”, critica. O dirigente conta que na terça (1º) foram protocolados três pedidos de intermediação com o setor patronal – um no Ministério Público do Trabalho, um no Tribunal Regional de Trabalho e outro no Tribunal Superior do Trabalho. Objetivo é discutir fim da precarização e de práticas antissindicais

Restaurantes

A ação judicial impetrada pelos entregadores também abarca duas tomadoras dos serviços oferecidos pelos aplicativos: Burger King e McDonald’s. Segundo o SindimotoSP, elas representam 80% dos pedidos recebidos. “Para nós, essas empresas têm responsabilidade solidária. Se conseguirmos mudar as práticas delas, avanços vão se estender aos demais restaurantes”, acredita.

Fonte: Agência Sindical

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