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Câmara: 438 disputam a reeleição; Diap avalia renovação

Com o encerramento do registro de candidaturas, 438 dos 513 deputados federais em exercício (85,38%) confirmaram que tentarão renovar seus mandatos. O índice é próximo às projeções preliminares do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), que apontava 451 pré-candidatos (87,91%). Na prática, 8 em cada 10 parlamentares atuais estão na disputa pela permanência na Câmara, representando uma leve queda em relação a 2022, quando 446 deputados tentaram a reeleição.

Vale ressaltar que o total final de candidaturas ainda pode sofrer pequenas oscilações até o dia da eleição, em outubro, uma vez que 14 parlamentares atuam atualmente como suplentes — a exemplo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), em exercício devido à licença do titular para tratar de assuntos pessoais.

Outros Cargos e Desistências

A redução na busca pela reeleição é explicada, em parte, pelo aumento de parlamentares que decidiram alçar voos mais altos ou migrar para outras esferas políticas:

  • Senado Federal: 42 deputados buscam uma cadeira na Casa Alta. O movimento é expressivo quando comparado a pleitos anteriores: em 2018 (quando duas vagas por estado estavam em disputa), 47 deputados concorreram ao Senado; já em 2022 (com renovação de apenas 1/3 das vagas), esse número havia caído para 21.
  • Assembleias Legislativas: A busca por mandatos estaduais subiu de 6 parlamentares em 2022 para 8 neste pleito.
  • Executivo e Outros Cargos: 5 deputados disputam governos estaduais, 1 concorrente ao cargo de vice-presidente, 1 a vice-governador e 3 figuram como 1º suplente de senador.
  • Fora da Disputa: Apenas 14 deputados da atual composição optaram por não concorrer a nenhum cargo eletivo.

Renovação mínima

Historicamente, as eleições para a Câmara mantêm uma taxa média de renovação de 49% (dado registrado desde 1990). No entanto, o alto número de recandidaturas em 2026 indica uma tendência inversa. Como o índice de sucesso de quem tenta se reeleger costuma superar os 65%, o DIAP projeta uma das menores taxas de renovação da história, estimada entre 14,61% e 44,44%.

Essa baixa rotatividade no Poder Legislativo é impulsionada por três fatores principais: a alta proporção de postulantes à reeleição, a visibilidade natural inerente ao mandato e, sobretudo, as vantagens estruturais e financeiras consolidadas na legislação eleitoral:

  1. Emendas Parlamentares: O acesso direto e individual a verbas que superam R$ 26,6 bilhões anuais reforça a base eleitoral nos municípios.
  2. Cota Parlamentar: Verbas de gabinete mensais (que variam de R$ 30 mil a R$ 44,3 mil) custeiam despesas estratégicas, como viagens, combustível, pesquisas, consultorias e material de divulgação.
  3. Verba de Gabinete: R$ 111,6 mil mensais garantidos para a contratação de até 25 secretários parlamentares atuando tanto em Brasília quanto nos estados de origem.
  4. Fundo Eleitoral: Preferência e prioridade na distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha por parte das siglas.
  5. Capital Político e Mídia: Maior acesso aos meios de comunicação e prestígio institucional. Para quem integra a base de apoio ao governo, o acesso facilitado a liberação de recursos amplia ainda mais a competitividade.

Dentro desse cenário, a avaliação do DIAP é rígida: deputados que tentam a reeleição só tendem a perder suas vagas caso seus partidos ou federações não alcancem sequer 80% do quociente eleitoral — a exigência mínima para ingressar na partilha das cadeiras.

Reeleição será forte

A adesão à recandidatura varia expressivamente de acordo com o porte da legenda e o alinhamento político. O chamado “Centrão” lidera os maiores índices de retenção:

  • Altas Taxas nas Grandes Bancadas: O bloco PP/União desponta com 90,81% de seus 98 parlamentares em busca da reeleição. Acompanham essa tendência o Republicanos (90,48%), o PT (89,06%) e o PSD (87,50%). O PL, detentor da maior bancada da Casa, levará 77 dos seus 98 deputados às urnas (78,57%).
  • Taxa de 100% de Recandidatura: Siglas como PSOL, PCdoB, PV, Avante, PRD e Missão registraram adesão total (100%) de seus deputados. O Podemos fica logo atrás, com 96,30% (26 de 27 parlamentares).
  • Menor Retenção: No lado oposto, partidos menores ou em reestruturação registram índices bem inferiores, como Rede (33,33%), Solidariedade (50%), Cidadania (50%) e Novo (60%). Entre os partidos tradicionais de porte médio, MDB (73,68%), PSB (76,47%) e PSDB (77,78%) apresentam taxas abaixo da média nacional.

Geograficamente, a disposição para renovação do mandato é majoritária em quase todo o país, superando os 80% na maioria das unidades federativas. Paraíba e Rio Grande do Norte lideram o ranking, com 100% de suas bancadas tentando se reeleger, seguidos por Bahia (94,87%), São Paulo (91,43%), Piauí (90%), Minas Gerais (88,68%), Goiás (88,24%) e Rio de Janeiro (86,96%).

Em contrapartida, o Tocantins surge como o ponto fora da curva, registrando o menor índice do país, onde apenas 37,50% da bancada tenta renovar o mandato. Espírito Santo (70%), Pernambuco (72%), além de Acre, Distrito Federal, Rondônia e Roraima (75% cada), também aparecem com taxas de recandidatura sensivelmente inferiores à média nacional.
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