O mercado de trabalho formal no Brasil iniciou o ano com saldo positivo. Segundo dados do Novo Caged, divulgados no começo da semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o país gerou 112.334 novas vagas com carteira assinada em janeiro. O resultado consolida um crescimento de 2,6% no estoque total de trabalhadores formalizados nos últimos 12 meses, alcançando a marca de 48,57 milhões de postos.
Recorte Regional
O desempenho de janeiro foi impulsionado principalmente pelo público masculino, que ocupou 94,5 mil das novas vagas. No recorte por cor ou raça, profissionais pardos lideraram as contratações, somando 76,5 mil postos.
Geograficamente, o crescimento foi disseminado:
- Destaques Estaduais: Santa Catarina liderou a criação de empregos (19 mil), seguida de perto por Mato Grosso (18,7 mil) e Rio Grande do Sul (18,4 mil).
- Desempenho Regional: A região Sul foi o grande motor do mês, com 55,7 mil novos postos. O Sudeste (13,3 mil), Nordeste (6,1 mil) e Norte (1,7 mil) também fecharam o período no azul.
Setores e Salários
A Indústria registrou o melhor desempenho setorial, com quase 55 mil novas vagas, acompanhada pela Construção Civil (50,5 mil) e pelo setor de Serviços (40,5 mil). Em contrapartida, o Comércio apresentou retração de 56,8 mil postos, reflexo direto da sazonalidade após as festas de fim de ano.
O aspecto financeiro também mostrou evolução. O salário médio de admissão subiu para R$ 2.389,78, representando um ganho real de 1,77% em relação a janeiro de 2025 e uma alta de 3,3% na comparação mensal com dezembro.
O entrave dos juros
Apesar do otimismo nos números, economistas alertam para os riscos de desaceleração. Para Rodolfo Viana, economista do Dieese, o aquecimento atual é sustentado pelo aumento real do salário mínimo e pelo fortalecimento de programas sociais como o Bolsa Família. No entanto, ele aponta a taxa Selic como o principal obstáculo ao crescimento sustentável.
“A economia tem perdido ímpeto e o Banco Central insiste em uma política de esfriamento. A Selic em 15% é absurda e precisa baixar imediatamente”, afirma Viana.
Embora o setor financeiro projete uma redução gradual da taxa para 12% até o final de 2026, o especialista avalia que o patamar ainda permanecerá elevado o suficiente para inibir investimentos mais robustos na produção.
Foto: ICL Notícias
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