O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, colocou em pauta uma das principais reivindicações do movimento sindical: a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. A proposta prevê a adoção do regime máximo de cinco dias de trabalho por dois de descanso (5×2), extinguindo a polêmica escala 6×1, que obriga o trabalhador a atuar seis dias consecutivos com apenas um de folga.
Argumentos e impactos
Segundo Boulos, a medida não apenas garante mais qualidade de vida, mas também pode impulsionar a economia. “Trabalhadores mais descansados produzem mais e melhor”, afirmou. Ele cita como evidência estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado em 2024 com 19 empresas que reduziram a jornada: 72% registraram aumento de receita e 44% melhoraram o cumprimento de prazos.
Críticos, no entanto, apontam que a baixa produtividade brasileira e a falta de investimento privado em inovação e tecnologia podem limitar os efeitos positivos da mudança.
Avanços políticos
O diálogo com o Congresso já está em andamento. Boulos se reuniu com o presidente da Câmara, Arthur Lira, para tratar não apenas do fim da escala 6×1, mas também da regulamentação do trabalho por aplicativos. A expectativa é que a proposta seja votada ainda neste semestre.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães, incluiu o fim da escala 6×1 entre as prioridades legislativas para 2026, reforçando o peso político da pauta.
Apoio sindical
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (CONTRATUH), Wilson Pereira, manifestou apoio à medida e ressaltou o empenho da entidade na articulação política: “Estamos desenvolvendo todos os esforços junto à classe política brasileira para que essa conquista se torne realidade. O fim da escala 6×1 é uma luta histórica e representa dignidade para os trabalhadores”, afirmou.
Significado social
A iniciativa é vista como um marco na luta histórica dos trabalhadores brasileiros por melhores condições de trabalho. Para sindicatos e movimentos sociais, o fim da escala 6×1 representa mais do que descanso: é a conquista de dignidade e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
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