A Federação dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade no Estado do Espírito Santo sabe que, nas reuniões e assembleias, a voz do trabalhador aparece. Muitos falam, muitos concordam, muitos reconhecem as injustiças. Mas, na hora da luta, muitos acabam recuando — e isso precisa ser dito com clareza.
O problema não é falta de consciência. O trabalhador sabe quando o salário está defasado, quando a jornada é injusta e quando seus direitos não são respeitados. O dirigente também sabe. O que pesa, na prática, é o medo, a insegurança e, muitas vezes, a falta de unidade.
Até mesmo dirigentes sindicais, que têm estabilidade garantida por lei, às vezes hesitam. E isso acontece porque a estabilidade protege o emprego, mas não protege da pressão, do isolamento e das perseguições indiretas dentro do ambiente de trabalho. Esse cenário acaba gerando um silêncio que enfraquece a luta.
Mas é preciso lembrar: nenhuma conquista da classe trabalhadora veio da omissão. Tudo o que temos hoje foi resultado de luta, de posicionamento e de coragem coletiva.
A luta sindical não é individual. Quando alguém luta sozinho, fica exposto. Mas quando a categoria se une, a realidade muda. A empresa deixa de enfrentar um trabalhador isolado e passa a enfrentar uma categoria organizada — e isso faz toda a diferença.
O maior erro é esperar que alguém faça por nós. Quando todo mundo pensa assim, ninguém faz. E quando ninguém faz, todos perdem.
A estabilidade não pode ser tratada como zona de conforto. Ela existe justamente para permitir que o dirigente atue com firmeza, represente a categoria e enfrente as situações necessárias com responsabilidade.
Sem mobilização, não há conquista. Sem pressão, não há reajuste digno, não há melhoria nas condições de trabalho e não há respeito. Isso não é discurso — é a realidade que a história e o dia a dia comprovam.
Por isso, a FETTHEES chama cada trabalhador e cada dirigente à responsabilidade. É hora de decidir qual papel cada um quer assumir: o de quem viu e se calou ou o de quem se posicionou e ajudou a construir mudanças.
A estabilidade protege o cargo, mas é a coragem que dá sentido ao mandato. A consciência já existe. Agora é hora de agir.
Quando a categoria se levanta unida, não há força capaz de impedir a conquista.
- ODEILDO RIBEIRO é advogado e presidente da Federação dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade do Espírito Santo.
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