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Reforma trabalhista no México e o paralelo com o Brasil

O Senado do México aprovou, em 11 de fevereiro, mudanças constitucionais relacionadas à jornada de trabalho. A principal delas é a redução gradual da carga semanal de 48 para 40 horas até 2030, acompanhada da possibilidade de ampliação das horas extras. O projeto, debatido desde maio de 2025, foi encaminhado pela presidente Claudia Sheinbaum ao Congresso em dezembro e agora segue para análise da Câmara dos Deputados.

A proposta prevê que, a partir de 2027, a jornada seja reduzida em duas horas por ano, até alcançar o limite de 40 horas em 2030. A justificativa é permitir que empresas adaptem seus processos sem comprometer a produtividade. Caso aprovado, o texto beneficiará cerca de 13,5 milhões de trabalhadores, embora 55% da força de trabalho mexicana permaneça na informalidade. A votação no Senado foi expressiva: 121 votos favoráveis na aprovação geral e 103 a favor contra 15 nos pontos mais polêmicos, que envolvem o cronograma de implementação, as regras de horas extras e os dias de descanso.

O que está em jogo no Brasil

Enquanto o México avança em uma reforma constitucional, o Brasil vive um debate intenso sobre o fim da escala 6×1, que hoje garante apenas um dia de descanso a cada seis trabalhados. A proposta em discussão no Congresso prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, com dois dias de folga por semana.

O tema divide opiniões:

Governo e centrais sindicais defendem a medida como forma de melhorar a qualidade de vida e alinhar o país a padrões internacionais.

Empresariado alerta para o impacto nos custos de produção, estimando aumento de até 22% no valor da hora trabalhada.

Estudos do Ipea indicam que o mercado de trabalho poderia absorver a mudança, com efeitos semelhantes aos reajustes históricos do salário mínimo.

Opinião pública ainda é pouco informada: pesquisas mostram que 35% dos brasileiros desconhecem a proposta, chegando a quase 50% no Centro-Oeste.

Em síntese, o México aposta em uma transição gradual para reduzir a jornada, enquanto o Brasil discute uma mudança mais abrupta, com potencial de alterar profundamente a organização do trabalho. Ambos os países enfrentam o mesmo dilema: equilibrar qualidade de vida dos trabalhadores com a sustentabilidade econômica das empresas.

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