A médica, escritora e palestrante Sylvia Carvalho de Oliveira defende a escuta como estratégia essencial para prevenir o adoecimento nas empresas. Segundo ela, três sinais costumam aparecer antes mesmo de serem percebidos nos indicadores: o cansaço emocional crônico, presente até em quem mantém a entrega; o medo de se posicionar em ambientes hierárquicos; e a sensação de invisibilidade. Esses fatores, embora não interrompam imediatamente a produtividade, já indicam desgaste e geralmente antecedem queda de performance, conflitos e afastamentos.
Para Sylvia, a mudança acontece quando a escuta deixa de ser apenas acolhimento e passa a ser um processo analítico. Seu método envolve três camadas: primeiro, a escuta qualificada para identificar padrões; depois, a tradução desses padrões em categorias de risco, como sobrecarga, falhas de liderança, conflitos interpessoais e insegurança psicológica; por fim, a correlação com indicadores objetivos, como absenteísmo, turnover, afastamentos e produtividade. Assim, a escuta deixa de ser subjetiva e passa a orientar decisões e antecipar riscos.
Com a entrada da NR-1, o risco psicossocial passa a ser tratado como qualquer outro risco ocupacional, devendo constar no PGR/GRO com plano de ação. No entanto, Sylvia ressalta que o diferencial está em preparar líderes, criar espaços seguros de escuta e manter monitoramento contínuo. Cumprir a norma evita passivos, mas gerir bem melhora resultados.
Ela destaca que antes do absenteísmo surgem sinais silenciosos, como queda de energia sem queda de entrega, irritabilidade ou retraimento e perda de sentido no trabalho. Para ilustrar, cita um caso em que uma equipe de alta performance técnica reduziu conflitos em apenas 90 dias, após a escuta revelar sobrecarga desigual e falta de reconhecimento. A performance já existia, mas o equilíbrio era o que faltava.
Na visão da médica, o líder precisa abandonar o controle, pois controle gera medo, medo gera silêncio e silêncio gera risco. Sua mensagem é direta: saúde mental não é projeto paralelo, mas estratégia de negócio. Se a liderança não mudar comportamento de imediato, nada muda.
Sylvia conclui afirmando que empresas não adoecem pessoas por acaso, mas pela forma como se organizam, se comunicam e, principalmente, pelo que escolhem não ouvir.
Fonte: site Imagine/Acredite por Sérgio Botêlho Júnior





