Sonia Zerino, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores), Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) Miguel Torres, presidente da Força Sindical Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) são unânimes ao opinar sobre a questão dos juros altos no Brasil.
A decisão do Copom de reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto percentual foi recebida com forte crítica pelas centrais sindicais, que enxergam na medida um gesto tímido diante das necessidades da economia brasileira. Para os dirigentes, o Banco Central insiste em uma política monetária conservadora que trava investimentos, limita a expansão da atividade econômica e dificulta a geração de empregos de qualidade.
O corte anunciado é considerado praticamente irrelevante para o custo do crédito, que segue elevado para empresas, produtores e consumidores. Com a inflação sob controle, argumentam os sindicalistas, o país teria condições de avançar em uma redução mais ousada dos juros. A manutenção de taxas tão altas, segundo eles, perpetua um ciclo de baixo crescimento e favorece o rentismo e a especulação financeira em detrimento da produção e do trabalho.
As consequências não se limitam ao setor privado. Juros elevados pressionam as contas públicas, aumentam os gastos com a dívida e reduzem a capacidade do Estado de investir em áreas estratégicas e em políticas sociais. Para os representantes das centrais, o Brasil perde oportunidades de acelerar o crescimento, fortalecer a indústria nacional, estimular o consumo e ampliar a renda das famílias.
Em tom crítico, os líderes sindicais afirmam que continuarão defendendo uma redução mais consistente da Selic, compatível com os desafios do desenvolvimento nacional e da valorização do trabalho. Para eles, o país precisa de uma política econômica voltada ao crescimento sustentável, à reindustrialização e à distribuição de renda — e não de uma estratégia que prolongue a estagnação e limite as perspectivas de desenvolvimento.
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